Campo Grande (MS) – 30 de abril de 2025
Na manhã desta quata-feira, manifestantes ligados ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) bloquearam totalmente a BR-163, principal via de saída de Campo Grande com destino ao estado de São Paulo. O protesto, segundo os organizadores, cobra do governo federal ações imediatas para o avanço da reforma agrária. A interdição ocorreu por volta das 7h e já causa longas filas e prejuízos a motoristas e transportadoras.
O movimento, historicamente aliado ao Partido dos Trabalhadores, volta a pressionar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva por promessas que, segundo os próprios militantes, estão sendo descumpridas. A manifestação ocorre em meio a um crescente desgaste do governo junto ao setor produtivo rural, que vê o MST como uma ameaça à propriedade privada e à segurança jurídica no campo.
Empresários do agronegócio e caminhoneiros criticaram a ação. “Estamos presos há horas, com carga perecível. E o governo simplesmente fecha os olhos para esse tipo de baderna”, reclamou o caminhoneiro João Batista, que seguia para Ribeirão Preto com uma carga de hortifrúti.
A Polícia Rodoviária Federal (PRF) acompanha a situação, mas até o momento não há previsão para liberação da pista. Há relatos de que alguns motoristas chegaram a discutir com os manifestantes, indignados com o bloqueio e a falta de alternativas viárias.

A ação do MST expõe um dilema enfrentado pelo governo Lula: atender aos interesses de movimentos sociais que exigem ocupações e desapropriações, ou manter a estabilidade jurídica que o setor agropecuário — pilar da economia nacional — exige. Enquanto isso, o prejuízo recai sobre quem trabalha e depende das rodovias para produzir e gerar renda.
Críticos do governo afirmam que a falta de uma resposta firme à escalada de ações do MST reflete conivência e enfraquece o Estado de Direito. “Não se pode permitir que um grupo político feche uma rodovia federal como forma de chantagem. Isso é terrorismo rural”, disse o deputado federal Ricardo Maia (PL-MS).
Desta vez, os manifestantes estão pedindo uma reunião com um representante do Incra.
O governo federal ainda não se pronunciou oficialmente sobre a manifestação.
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