A projeção de um cenário econômico mais retraído amplia o risco e torna o crédito mais caro. A perspectiva de maior demanda por recursos para honrar compromissos do dia a dia coloca as contas a pagar ainda mais no centro do planejamento das empresas industriais.
Uma consulta empresarial da CNI, divulgada pela Confederação Nacional da Indústria em 3 de agosto de 2026 com informações coletadas em julho, aponta que 53% das companhias respondentes esperam ampliar a necessidade de financiamento desses compromissos nos próximos três meses, grupo que abrange obrigações com fornecedores, tributos e despesas operacionais.
A pressão sobre o caixa tende a vir acompanhada de condições mais onerosas. Entre as respondentes que preveem aumento da necessidade de financiamento junto a fornecedores, 55% também projetam elevação dos juros dessa operação, segundo o documento da entidade. A consulta ouviu 191 empresas de 30 setores industriais em 20 unidades federativas, entre 13 e 24 de julho de 2026.
Para Edson Silva, fundador e presidente da Nexxera, especializada na integração de processos financeiros e de crédito, e na conexão entre empresas, fornecedores e instituições financeiras, o quadro sugere tratar o capital como parte da gestão da atividade, e não como recurso acionado apenas em urgências de caixa, quando pode ficar ainda mais caro.
"O crédito é uma ferramenta importante para a gestão de caixa das empresas. Muitas vezes encarado como despesa, se bem utilizado, pode se tornar um elemento de resultado. Sua utilização precisa estar conectada ao planejamento financeiro e às características de cada organização e de sua cadeia produtiva. Não há mais como analisar apenas um lado do negócio. As partes integrantes do ecossistema e seus processos precisam ser analisados para que haja um equilíbrio entre prazo, valor e caixa. Com mais informação sobre este contexto financeiro, é possível tomar decisões de forma mais estratégica e até rentável", afirma o executivo.
Decisões do comprador chegam ao caixa do fornecedor
A gestão das contas a pagar envolve uma dimensão que extrapola o caixa de quem compra. Em operações entre empresas, prazo e condições de pagamento influenciam a previsibilidade de recebimento de quem entrega produtos ou serviços, exigindo uma dinâmica que busca equilibrar caixa e necessidades das partes envolvidas.
Enquanto o comprador ou sacado precisa organizar seus compromissos a pagar, o fornecedor administra o intervalo entre o pedido, a produção, a venda e a entrada efetiva dos valores. É um processo que deixou de ser responsabilidade de uma parte e passou a exigir que as partes busquem a sustentabilidade e o equilíbrio das empresas.
"Quando olhamos apenas para o caixa de uma empresa, perdemos parte da visão da operação. Existe uma relação entre quem compra e quem fornece, e as decisões de uma ponta podem impactar a outra. Por isso, compreender essa dinâmica ajuda a identificar diferentes possibilidades para cada participante da cadeia", avalia Silva.
Essa interdependência valoriza dados que descrevam o comportamento da relação comercial, e não apenas os compromissos de cada parte. Registros de transações, pagamentos e recebimentos dão visibilidade aos ciclos de cada ponta e promovem o equilíbrio financeiro do processo.
Caminhos distintos para quem compra e quem fornece
Em ambiente de capital mais caro, a modalidade adequada varia conforme a posição na operação. Para quem fornece, a antecipação de recebíveis pode gerar liquidez sem alterar o prazo acordado com o comprador. Para quem compra, a manutenção desse prazo ajuda a organizar o caixa; para quem vende, o recebimento antecipado encurta o intervalo até a entrada dos valores.
A escolha passa por três perguntas anteriores à contratação: quando o recurso será necessário, em que volume e com qual finalidade. Respostas mais precisas dependem do conhecimento sobre os ciclos da própria operação, o que desloca a decisão do campo emergencial para o do planejamento.
"O mais importante é que as empresas tenham informações suficientes das operações entre elas para avaliar as alternativas que geram mais valor e resultado para ambas. Com maior clareza dos compromissos, ciclos e relações comerciais, as decisões podem ser mais alinhadas ao momento e aos objetivos do negócio e das empresas participantes", diz o fundador da Nexxera.
Gestão de dados amplia a visibilidade da cadeia
A dispersão das informações limita a análise da operação. Dados de pedidos, entregas, aceites, pagamentos, recebimentos e outras obrigações costumam estar distribuídos entre diferentes sistemas e rotinas, o que dificulta uma visão integrada da cadeia. Nesse contexto, a integração dos dados transacionais das empresas permite ampliar a compreensão sobre o funcionamento do ecossistema produtivo. Ao conectar esses registros, as empresas conseguem acompanhar obrigações, antecipar necessidades e organizar de forma mais eficiente o financiamento ao longo da cadeia.
"Com os processos conectados, a informação ou dado mais amplo será um componente de rica entrega de valor e gestão. Quando conseguimos gerir dados a partir da relação comercial, financeira e operacional, fica mais fácil entender o comportamento, identificar oportunidades e avaliar alternativas com mais contexto. Isso beneficia não apenas quem busca recursos, mas toda a cadeia envolvida", explica o fundador e presidente da Nexxera.
Com margens pressionadas e juros elevados, a qualidade da decisão de financiamento tende a pesar tanto quanto o acesso aos recursos: para compradores, dimensionar melhor as contas a pagar; para fornecedores, ampliar as opções de administrar o intervalo entre venda e recebimento.
"O crédito continuará sendo uma ferramenta importante para as empresas, mas cada vez mais a discussão será sobre a qualidade da decisão. Quem conhece seu negócio e sua cadeia produtiva, entende os ciclos e consegue integrar e gerir essas informações, tem mais condições de avaliar quando haverá demanda por recursos e como utilizá-los de forma estratégica", conclui o executivo.
Para mais informações, basta acessar: https://www.nexxera.com/
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