SES orienta a população a verificar a caderneta vacinal; no Estado, a cobertura da primeira dose é de 97,10%, enquanto a segunda registra 81,79%
A SES (Secretaria de Estado de Saúde), por meio da Coordenadoria de Imunização, orienta a população de Mato Grosso do Sul a procurar a unidade de saúde do município para verificar a caderneta de vacinação e completar o esquema vacinal contra o sarampo, se necessário. Dados de vacinação até 1º de setembro de 2026 mostram que o Estado alcançou cobertura de 97,10% na primeira dose, enquanto a segunda dose registra 81,79%.
A diferença entre os índices reforça a necessidade de ampliar a cobertura da segunda dose, garantindo que mais pessoas estejam protegidas contra a doença. Mato Grosso do Sul não tem casos confirmados de sarampo em 2026.
Até o momento, foram registrados 24 casos suspeitos, dos quais 23 foram descartados e um permanece em investigação. Os últimos casos confirmados no Estado ocorreram em 2020, quando foram registrados dez casos em Campo Grande. Em 2019, haviam sido confirmados quatro casos, sendo dois em Três Lagoas e dois em Campo Grande.
A vacinação é a principal forma de prevenção, especialmente diante do avanço dos casos em diferentes países e do risco de reintrodução do vírus no Brasil.
A coordenadora de Imunização da SES, Ana Paula Goldfinger, reforça a importância de conferir a caderneta e manter a vacinação atualizada.
“É fundamental que pais e responsáveis verifiquem se as crianças receberam todas as doses recomendadas, mas essa atenção também deve se estender aos adolescentes e adultos. Quem não tem certeza sobre a situação vacinal deve procurar uma unidade de saúde para conferir os registros e receber a orientação necessária”, destaca Ana Paula.
O gerente de Imunização da SES, Frederico Moraes, ressalta que completar o esquema vacinal é essencial para ampliar a proteção contra o sarampo e reduzir o risco de circulação do vírus.
“A primeira dose é uma etapa importante da proteção, mas é necessário verificar se a segunda também foi administrada, conforme a recomendação para cada faixa etária. Quanto maior a cobertura vacinal, mais pessoas estarão protegidas, reduzindo o risco de circulação do vírus e contribuindo para a proteção de toda a população”, destaca Frederico.
Ações ampliam vigilância e vacinação em MS

A SES tem desenvolvido ações para intensificar a vacinação e fortalecer a vigilância do sarampo nos municípios. Em setembro de 2026, foi realizado um treinamento presencial sobre a doença no auditório do Imasul, em Campo Grande, com a participação dos 79 municípios do Estado. A atividade abordou aspectos clínicos e epidemiológicos do sarampo, além de orientações sobre a ampliação da vacinação em Mato Grosso do Sul.
Em outubro, a campanha de multivacinação intensificou a oferta de todas as vacinas do calendário de rotina em todo o território estadual. Durante a mobilização, foram aplicadas 84.439 doses de vacinas, das quais aproximadamente 4.262 foram da tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, considerando a primeira e a segunda doses (D1 e D2). Os dados ainda estão em processo de migração e devem ser disponibilizados na RNDS (Rede Nacional de Dados em Saúde) nos próximos dias.
Outra iniciativa em preparação é a estratégia Aluno Imunizado, prevista para ocorrer de 3 a 13 de novembro. A ação será realizada em escolas municipais, estaduais e privadas de todo o Estado, com oferta de vacinação e emissão da DVA (Declaração de Vacinação Atualizada). A iniciativa busca ampliar o acesso à imunização no ambiente escolar e contribuir para a manutenção de coberturas vacinais elevadas e homogêneas contra o sarampo.
Vacinação nos territórios indígenas
As ações de prevenção também contemplam a população indígena. A SESAI (Secretaria de Saúde Indígena), do Ministério da Saúde, publicou a Nota Técnica Conjunta nº 325/2026 COVISI/CGGAS/DAPSI/SESAI/MS, com orientações para a aplicação da dose zero (D0) da vacina contra o sarampo em crianças indígenas de 6 a 11 meses e 29 dias nos DSEIs (Distritos Sanitários Especiais Indígenas). A estratégia está em andamento nos territórios abrangidos pelo DSEI Mato Grosso do Sul.
Também foi publicada a Nota Técnica nº 23/2026-COVISI/CGGAS/DAPSI/SESAI/MS, que orienta os 34 DSEIs sobre o fortalecimento das ações de vigilância epidemiológica, imunização e resposta ao risco de introdução do sarampo nos territórios indígenas.
Casos de sarampo nas Américas reforçam alerta
O avanço do sarampo em diferentes países reforça a importância de manter a vacinação em dia e a atenção ao risco de reintrodução do vírus no Brasil.
Segundo dados do CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doenças), os Estados Unidos registram quase 4 mil casos confirmados em 2026, o maior número anual em mais de 35 anos. Mais de 90% dos casos envolvem pessoas não vacinadas ou com situação vacinal desconhecida.
Nas Américas, Estados Unidos, Guatemala, México, Peru e Canadá concentram 99,5% dos casos confirmados em 2026, segundo a OPAS (Organização Pan-Americana da Saúde). No Brasil, foram confirmados 61 casos importados ou relacionados à importação neste ano.
Quem deve se vacinar?

A vacina tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, é oferecida gratuitamente pelo SUS (Sistema Único de Saúde). A recomendação varia conforme a idade e o histórico de vacinação:
A orientação é que adolescentes e adultos também confiram a situação vacinal, mesmo que tenham recebido doses na infância. A equipe de saúde poderá verificar os registros e indicar a necessidade de atualização conforme o histórico individual.
Sintomas exigem atenção
O sarampo é uma doença viral altamente contagiosa, transmitida pelo ar, que pode provocar complicações graves, como pneumonia e encefalite, além de levar à morte. Crianças pequenas, gestantes e pessoas com baixa imunidade estão entre os grupos que podem apresentar maior risco de complicações.
Pessoas que apresentarem febre acompanhada de manchas avermelhadas na pele, tosse, coriza ou conjuntivite devem procurar atendimento em uma unidade de saúde e informar sobre possíveis contatos com casos suspeitos ou viagens recentes. A identificação oportuna dos sintomas é importante para a avaliação e a adoção das medidas de saúde necessárias.
Kamilla Ratier, Comunicação SES
Foto da capa: Bruno Rezende/Secom-MS
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