Terça, 19 de Maio de 2026 18:51
Câmara dos Deputados Câmara

Plenário rejeita recurso do PT e aprova mudança no Código Florestal

Proposta será enviada ao Senado Federal

19/05/2026 17h53
Por: Redação Fonte: Agência Câmara
Bruno Spada/Câmara dos Deputados
Bruno Spada/Câmara dos Deputados

A Câmara dos Deputados rejeitou recurso e aprovou o envio ao Senado do Projeto de Lei 364/19 , que impõe as regras de regularização do Código Florestal a todos os biomas, inclusive a Mata Atlântica ao anular a aplicação de normas específicas para este bioma.

O recurso apresentado pelo PT e deputados de outros partidos pedia a votação no Plenário do projeto, do deputado Alceu Moreira (MDB-RS), aprovado com substitutivo da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania, do deputado Lucas Redecker (PSD-RS).

Segundo o texto, a regularização pode abranger ocupações anteriores ao Código Florestal mesmo em se tratando de Áreas de Preservação Permanente (APP), de Reserva Legal e de áreas de uso restrito, não se aplicando regras conflitantes contidas em outras legislações, como a Lei da Mata Atlântica ( Lei 11.428/06 ).

Com isso, devido à realização de atividades agrossilvopastoris nessas áreas, poderá ser dispensada a autorização para corte de vegetação nativa ou em regeneração (primária ou secundária com recuperação em estágio médio ou avançado) independentemente das exceções previstas atualmente.

Enquanto no Código Florestal a supressão de vegetação que abrigue espécie da flora ou da fauna ameaçada de extinção em áreas passíveis de uso alternativo do solo depende da adoção de medidas compensatórias e mitigadoras, na lei da Mata Atlântica isso é proibido.

Mudança de uso
Depois de o imóvel rural cumprir as normas para regularização previstas no Código Florestal, mais flexíveis que as da Mata Atlântica, por exemplo, ele será considerado regularizado em relação a todas essas áreas (consolidadas, APPs, Reserva Legal e áreas de uso restrito), permitindo a utilização da área rural consolidada para quaisquer atividades, admitindo-se a substituição das atualmente realizadas por outras atividades produtivas, como agricultura.

Campos gerais
Inicialmente, o projeto tratava apenas da autorização para uso alternativo do solo em campos de altitude na Mata Atlântica, predominantes na região Sul do país.

Durante a tramitação na CCJ, Redecker incluiu também os campos gerais e os campos nativos de todo o país e não apenas da Mata Atlântica, abrangendo ainda o Pantanal, o Cerrado e os Pampas, além de certas áreas da Amazônia.

Esses campos têm formações vegetais campestres, com predominância de gramíneas, herbáceas e arbustos, mas também são relevantes na proteção de espécies exclusivas (endêmicas) e na proteção de nascentes e cabeceiras de drenagem em altitudes maiores.

Ao mudar o Código, o texto considera que essas áreas serão consideradas área rural consolidada preexistentes a 22 de julho de 2008, conforme permissão dada pelo código, mesmo que a atividade agrossilvipastoril não tenha implicado a conversão da vegetação nativa.

Ao fazer esse enquadramento, a área rural consolidada contará com regras diferenciadas de regularização.

Thiago Cristino / Câmara dos Deputados
Discussão e votação de propostas legislativas. Dep. Nilto Tatto (PT - SP)
Nilto Tatto: projeto original foi "completamente deturpado"

Debates
O autor da proposta, deputado Alceu Moreira, afirmou que os campos de altitude são antropizadas (modificado pela ação humana) desde 1740 e não podem ser considerados vegetação nativa. "Se tiver o gado no campo e, por acaso nascer uma espécie nativa no meio do pasto, eles não permitem mais a utilização do campo, inclusive restringem a criação de gado. É um prejuízo criminoso", defendeu. Segundo ele, a crítica ao texto é "crendice ideológica" pois não há previsão de autorização de corte de árvores no projeto.

Para o coordenador da Frente Parlamentar Mista Ambientalista, deputado Nilto Tatto (PT-SP), o projeto original foi "completamente deturpado", aumentando a possibilidade de desmatamento e uso para o agronegócio de áreas não florestais na Amazônia, no cerrado, no Pantanal e na Mata Atlântica.

O deputado Chico Alencar (Psol-RJ) afirmou que a questão ambiental, o detalhamento de cada área e território afetados têm de ser levado em consideração. "Possamos trazer [o projeto] para a deliberação do Plenário com mais atenção, senão o trator passa, a motosserra passa", disse. O pedido para a proposta ser analisada pelo Plenário foi feito pela federação Psol-Rede.

Assista à sessão ao vivo

Mais informações a seguir

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários
Veja também
Câmara Comissão aprova prioridade para pessoa com deficiência no Minha Casa, Minha Vida
Câmara Comissão debate atuação da CNI e do Senai em Pernambuco
Câmara Conselho de Ética analisa representação contra o deputado Marcos Pollon nesta quarta-feira
Câmara Participantes de seminário na Câmara ressaltam atualidade do pensamento de Milton Santos
Câmara Plenário rejeita recuso do PT e aprova mudança no Código Florestal
Câmara Aprovada urgência para propostas que tratam de temas do interesse do agronegócio; acompanhe
Campo Grande, MS
Atualizado às 18h01
16°
Tempo nublado

Mín. 13° Máx. 17°

16° Sensação
3.6 km/h Vento
82% Umidade do ar
99% (0.79mm) Chance de chuva
Amanhã (20/05)

Mín. 13° Máx. 22°

Chuvas esparsas
Quinta (21/05)

Mín. 13° Máx. 22°

Tempo nublado