Após muito debate, a Comissão de Assuntos Sociais (CAS) aprovou nesta quarta-feira (9) requerimento da senadora Teresa Leitão (PT-PE) para audiência pública voltada a embasar o projeto de lei ( PL 2.294/2024 ) que condiciona o exercício da medicina à aprovação em exame de proficiência.
De acordo com o projeto, do senador Astronauta Marcos Pontes (PL-SP), os médicos só poderão se registrar no Conselho Regional de Medicina (CRM) se forem aprovados no Exame Nacional de Proficiência em Medicina, sendo dispensados os já inscritos no CRM e os estudantes de medicina que tiverem ingressado no curso antes da vigência da lei.
A senadora Teresa Leitão disse que o requerimento, subscrito pela senadora Zenaide Maia (PSD-RN), é fruto de um acordo da legislatura passada na Comissão de Educação (CE), onde a matéria foi inicialmente votada. A proposta lá, segundo a parlamentar, foi votar para não interromper o trâmite e se fazer a discussão na CAS, que é a comissão terminativa para o projeto.
Teresa afirmou que se trata de matéria "polêmica e complexa", que precisa ter um aprofundamento no Parlamento.
— O PL 2.294/2024 torna o Conselho Federal de Medicina, criado para supervisionar a ética profissional e disciplinar a classe médica, em autarquia responsável por avaliar a qualidade da formação médica e habilitar os egressos dos cursos de medicina ao exercício profissional através de um Exame Nacional de Proficiência, usurpando competências do Ministério da Educação, possibilitando que o referido exame induza mudanças nas diretrizes curriculares dos cursos de Medicina, dificultando ainda mais a trajetória dos estudantes de medicina em direção ao exercício profissional e instituindo um instrumento que, na prática, poderá significar a institucionalização da reserva de mercado — disse a senadora.
O senador Humberto Costa (PT-PE) ponderou que quem tem que atribuir diploma de graduação, avaliação de quem está dentro do curso e definição de como entrar no mercado de trabalho é o poder público, é o Ministério da Educação.
— Não é possível que a gente vá atribuir, numa área tão importante como é a área médica, a um simples conselho organizar essa prova, fazer essa prova, dizer quem pode e quem não pode trabalhar.
Alguns senadores, como o senador Marcelo Castro (MDB-PI), foram contra a leitura do relatório nesta quarta pelo relator, senador Dr. Hiran (PP-RR). Eles ponderaram ser preciso esperar a audiência púbica. Outros, como o senador Efraim Filho (União-PB), não viram óbice. Mas a previsão é de que a audiência pública ocorra após a Semana Santa e de que o relatório seja lido somente na reunião seguinte.
O relator, senador Dr. Hiran, defendeu o projeto e enfatizou que há 390 faculdades de medicina no país, o que ele considera “um absurdo”:
— A gente vê a necessidade de as pessoas terem atendimento de qualidade, porque no Brasil se estabeleceu assim: quem está na saúde suplementar tem medicina de qualidade; para quem está no SUS, é medicina de qualquer jeito. Isso não é nem ser cristão. Não é a gente defender interesses da medicina, de ser médico qualificado; é ter compaixão das pessoas — disse Dr. Hiran.
O senador Rogério Carvalho (PT-SE) disse ser a favor da avaliação e da punição das instituições que não conseguirem oferecer uma boa formação aos acadêmicos:
— Inicialmente, obviamente, se tiver uma avaliação de que as pessoas não têm suficiência, que as escolas sejam obrigadas a garantir a continuidade da formação até esses alunos terem suficiência sem ter que pagar mais por isso, porque, se não for assim, a gente está colocando, nas costas das famílias, o uso abusivo da formação de médicos para vender e valorizar cursos de graduação em que cada vaga vale R$ 1 milhão, R$ 1,5 milhão, para essas universidades que conseguem autorização. Esse debate é preciso ser feito. É preciso fazer essa avaliação de proficiência, mas a gente precisa atrelar uma coisa com a outra — expôs Rogério Carvalho.
A reunião da CAS foi presidida pela senadora Dra. Eudócia (PL-AL). Muitos médicos acompanharam a reunião da comissão.
Senado Federal Comissão vota projeto que reconhece estágio como experiência profissional
Senado Federal Beto Faro apresenta na terça relatório sobre novas regras do seguro defeso
Senado Federal Incentivo ao empreendedorismo no ensino médio está na pauta da CE
Senado Federal Para Viana, decisão de Dino sobre quebra de sigilos é precedente preocupante
Senado Federal Senado trabalha para reduzir brutalidade contra mulheres
Senado Federal TV Senado faz 30 anos com novidades e sessão especial no Senado Mín. 21° Máx. 32°
Mín. 22° Máx. 28°
ChuvaMín. 20° Máx. 26°
Chuva
Deputado Federal Rodolfo Nogueira Rodolfo Nogueira propõe acabar com redução de pena para traficantes
Deputado Gerson Claro Gerson Claro apresenta moção de apoio à árbitra Daiane Muniz e reforça enfrentamento ao machismo no esporte
Alípio Neto Desfile politizado termina em vexame e rebaixamento de escola que exaltou Lula e atacou valores cristãos
Vereador Herculano Borges Herculano Borges vota pela manutenção do veto à Taxa do Lixo e defende equilíbrio fiscal e social