Na Câmara Municipal de Campo Grande, autoridades políticas debateram mais uma vez perspectivas do problema de Mato Grosso do Sul com a CCR MS VIA. Na audiência, realizada nesta segunda-feira (7), em meio a tantos discursos, o mais direto foi o do deputado federal Marcos Pollon, que lembrou a população sobre o descaso da concessionária, quanto ao serviço não entregue.
"Eu já paguei pela duplicação, nós já pagamos, e pagamos caro, então cadê? É necessário utilizar essa força política que conseguimos mobilizar, pois o poder emana do povo e o povo não tem que pedir, ele exige. Se nós alinharmos todas as Câmaras [Municipais] e as Prefeituras temos a condição de se criar um consórcio, só pra tratar disso. Para assim, buscarmos medidas legislativas e executivas, que realmente resolvam esse problema", citou o parlamentar, que fez questão de lembrar do exemplo enfrentado no Mato Grosso, com uma semelhante.
Na "Unidade Federativa Vizinha", o serviço da concessionária "Rota do Oeste" foi substituída, há dois anos, pela "MTPar", uma empresa de economia mista do Governo do Estado local. Tudo por conta, do déficit em investimentos de obras, na ordem de R$ 1,6 bilhões, agora assumidos pela solução do Poder Público, que realiza a duplicação de 335 quilômetros da rodovia BR-163, em trecho que acompanha 19 municípios.
No Mato Grosso do Sul, o número de cidades afetadas pelo descumprimento de contrato da CCR MS Via é ainda maior, chegando a 21 cidades. Entretanto, Pollon lembra que, deste desafio complexo tem emergido na classe política regional uma rara união. Sintonia de propósito, que pode ir além de ideologias, partidos, ou vontades pessoais, pois o objetivo é o de "simplesmente salvar vidas".
"O prefeitos precisam fazer adequações, de trechos que passam dentro dos municípios, mas são proibidos porque é área de concessionária. Em muitos lugares, eu cheguei a me comprometer com a prefeitura, falei que eu mandaria emenda, pois está morrendo gente e precisamos resolver, mas nada se pode fazer. A própria bancada federal fica de mãos atacas, mas não posso colocar a culpa em ninguém, pois a culpa é da CCR MS VIA sim!", salientou o deputado federal, ao traduzir ainda a relação entre a negligência da empresa e o o chamado "nexo de casualidade", previsto no Direito para responsabilizações. Questão que, na visão de Pollon, assim como a reflexão geral que ele sugere, tem a ver diretamente com o alto número de feridos e mortos na rodovia.
Só no ano passado, foram registrados, no trecho da BR-163 que corta Mato Grosso do Sul, a média de 65 acidentes por mês, totalizando nos 12 meses, 785 ocorrências. Conforme a estatística oficial, o período compreendeu na rodovia 63 mortes, a grande maioria em áreas onde é aguardada uma intervenção de melhoria de pista, seja de ampliação ou requalificação.
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