Os projetos prioritários e as pautas mais relevantes para a o setor produtivo industrial foram apresentados em sessão solene do Congresso Nacional, nesta terça-feira (25), no lançamento daAgenda Legislativa da Indústria 2025.Em 2024, o setor respondeu por 24,7% do produto interno bruto (PIB) brasileiro, sendo responsável por 21% do emprego formal no país.
Em sua 30ª edição, a agenda legislativa é composta por 135 proposições, das quais 90 são de interesse geral e 45 de interesse setorial. Nesse universo, há convergência total ou parcial do setor para 66% das propostas legislativas e divergência total ou com ressalvas para 46,34%. O documento foi elaborado a partir da participação de 27 federações das indústrias nos estados, 114 associações setoriais e nove sindicados nacionais.
Em uma pauta mínima, a agenda legislativa apresenta projetos como o da reforma da tributação sobre a renda corporativa ( PL 2.015/2019 ), o licenciamento ambiental ( PL 2.159/2021 ), a política nacional de economia circular ( PL 1.874/2022 ), modernização da Lei do Bem ( PL 4.944/2020 ), entre outros(veja o quadro abaixo).
Vice-presidente do Senado, o senador Eduardo Gomes (PL-TO) apresentou as manifestações do presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP):
"A agenda legislativa da CNI pode ser usada tanto como guia de referência rápido, como fonte para compreender a fundo a posição do setor industrial diante do processo legiferante. Em sua agenda legislativa, a CNI indica, entre milhares de proposições em tramitação no Legislativo, quais têm maior potencial para melhorar o ambiente de negócios, atrair investimentos e incrementar a competitividade da economia brasileira", leu o senador Eduardo Gomes.
Davi destacou na mensagem que, mesmo representando um quarto do PIB, a indústria foi responsável por mais de dois terços das exportações brasileiras de bens e serviços. E que com um quarto do PIB, o setor respondeu por mais de dois terços do investimento empresarial em pesquisa e desenvolvimento. Ele também enfatizou que somente no ano passado foram aprovadas e convertidas em lei 13 matérias que faziam parte daAgenda Legislativa da Indústria de 2024, com destaque para a regulamentação do mercado de carbono e para o Programa Mover .
Primeiro-secretário do Congresso Nacional, o deputado federal Carlos Veras (PT-PE), que abriu a sessão solene, disse que o Legislativo acredita na importância da indústria.
—É muito bom ver que o esforço dá resultado. No ano passado, a produção industrial cresceu 3,1%, segundo o IBGE. (...) Em 2024, o Brasil bateu o recorde em exportação de produtos manufaturados e reassumiu a oitava posição em produção de automóveis. Conquistas assim são resultados da sinergia do Executivo e do Legislativo na busca de um mesmo objetivo. O Congresso deu sua contribuição aprovando diversas matérias, como a reforma tributária, que a própria CNI reconheceu como importante ao incluí-la nas edições anteriores de sua agenda — afirmou.
Para o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, o lançamento daAgenda Legislativa da Indústriano Congresso é muito significativo, já que é na Câmara e no Senado que “ocorrem importantes discussões e democraticamente são tomadas decisões que definem o rumo do país”.
— A publicação, que está contemplando 30 anos, é o instrumento que expressa, de forma clara e consistente, as propostas do setor industrial para reduzir o custo Brasil, aumentar a competitividade das empresas e acelerar o ritmo de crescimento econômico e a geração de empregos.
Alban destacou que 2025 é um “ano instigante”, diante de “uma política monetária contracionista, que afeta o setor produtivo de forma crucial, e também uma antecipação muito grande de um processo eleitoral” e que por isso o setor industrial conversa com demais setores produtivos e econômicos para a construção de um pacto federal contributivo que está sendo chamado de Pacto Brasil +25. Ele também se manifestou sobre as atuais mudanças na geopolítica:
— O movimento que está sendo feito hoje por alguns países, obviamente potencializado pelos Estados Unidos, com a proteção de suas economias nos leva a sermos mais responsáveis com o futuro e com o amanhã. O que os países estão fazendo neste momento com suas tarifas e suas proteções nada mais é do que a defesa da sua indústria, da indústria nacional de cada país, porque há uma máxima: não existe desenvolvimento social, que todos nós queremos, sem crescimento econômico, e não existe crescimento econômico sem o desenvolvimento da indústria regional ou local. Essa é uma máxima que existe e está norteando certamente as decisões de toda a geopolítica atual — ponderou o presidente da CNI.
A solenidade foi requerida pela senadora Tereza Cristina (PP-MS) e pelos deputados Marcos Pereira (Republicanos-SP), Benedita da Silva (PT-RJ) e Soraya Santos (PL-RJ). Marcos Pereira salientou que a sessão solene tem um caráter simbólico de grande importância para o Parlamento. Ele enfatizou que o futuro da economia mundial exige inovação e responsabilidade ambiental e que o Brasil tem condições de liderar essa agenda global.
— Este ano, sediando a COP 30, teremos a oportunidade de nos firmarmos nessa posição de liderança. Devemos fortalecer políticas que incentivem investimentos em energias renováveis, bioeconomia e tecnologias de baixo carbono, tornando nossa indústria ainda mais competitiva no cenário internacional — expôs.
Falando em nome das mulheres, a deputada Benedita da Silva discursou sobre a necessidade de garantia de uma educação de qualidade para preparar pessoas cada vez mais capacitadas para o mercado de trabalho.
— Da mesma forma, fortalecer o ensino técnico e profissionalizante é indispensável para alinhar a formação de jovens às demandas da indústria e da economia moderna, garantindo oportunidades reais de emprego e impulsionando a inovação e a produtividade nacional. Ao fortalecermos a capacitação profissional, também criamos condições para que mais mulheres, independentemente de sua cor ou raça, alcancem independência financeira e ocupem espaços de liderança, promovendo um ambiente de trabalho mais justo, diverso e inovador.
O investimento em educação também foi defendido pelo senador senador Astronauta Marcos Pontes (PL-SP). Ex-aluno do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), ele enfatizou que o mundo está em transição, em que se observa novos desafios e oportunidades. O parlamentar afirmou que a educação focada; ciência, tecnologia e inovação; empreendedorismo e um bom ambiente de negócios são pontos a serem alcançados em prol do desenvolvimento.
— Precisamos incentivar os nossos jovens ao empreendedorismo. Precisamos incentivar o nosso ambiente de negócio no país, que passa, logicamente, pelo imposto e por todas as burocracias relacionadas a empreender no Brasil. Sem dúvida nenhuma, o trabalho aqui do Congresso Nacional pode ajudar muito — disse.
Coordenador do grupo de trabalho no Senado sobre a reforma tributária, o senador Efraim Filho (União-PB) disse que a interação entre quem produz no Brasil e quem legisla é necessária. Ele salientou a entrega de reformas estruturantes pelo Congresso.
— Fizemos a reforma da Previdência , fizemos a reforma trabalhista , o teto de gastos , avançamos com a reforma tributária . Estas são as macroeconômicas, mas, nas microeconômicas, houve o Marco Legal do Saneamento , o Marco do Óleo e Gás , o Marco da Cabotagem , a nova lei do CAF. São vários temas que, pouco a pouco, ajudaram a nossa economia a encontrar sustentáculo, fôlego. A reforma trabalhista, por exemplo, fez com que muitos desistissem de fechar seus negócios, acreditando que há luz no fim do túnel.
O senador afirmou ainda que o este custo Brasil pela carga tributária onera os produtos e dificulta a inserção dos produtos brasileiros no mercado local e internacional.
— Em paralelo, a falta de investimentos em logística e o crédito acintosamente caro, associados a legislações defasadas, reduzem a competitividade das empresas e turvam o horizonte da nossa indústria — completou o senador.
Na mesma linha, o senador Izalci Lucas (PL-DF) disse que o país deve muito a indústria e que é preciso investir em uma frente parlamentar forte para que a agenda possa ser cumprida.
— Seria muito importante que cada um que tivesse o poder de decidir alguma coisa fosse empresário pelo menos por seis meses, para saber o que é pagar o salário no quinto dia útil, o que é pagar essa carga tributária no final do mês, quase que diariamente.
Conheça os 14 temas prioritários em debate no Congresso Nacional para a 'Agenda Legislativa da Indústria 2025' | ||
Proposição | Assunto | Posição |
| PLP 108/2024 | Comitê gestor de IBS e processo administrativo fiscal | Convergente |
| PL 2.015/2019 | Reforma da tributação sobre a renda corporativa | Convergente com ressalvas |
| PL 3.394/2024 | Aumento da alíquota da CSLL e do IRRF sobre JCP | Divergente |
| PL 2.159/2021 | Licenciamento ambiental | Convergente com ressalvas |
| PL 1.874/2022 | Política nacional de economia circular | Convergente |
| PL 2.338/2023 | Inteligência artificial | Convergente com ressalvas |
| PL 4.944/2020 | Modernização da Lei do Bem | Convergente |
| PL 414/2021 | Modernização do setor elétrico | Convergente |
| PL 7.063/2017 | Lei geral de concessões (LGC) | Convergente com ressalvas |
| PL 4.423/2024 | Normas gerais sobre o comércio exterior | Convergente |
| PL 6.139/2023 | Sistema brasileiro de crédito oficial à exportação | Convergente |
| PL 3.935/2008 | Licença paternidade | Divergente com ressalva |
| PL 2.042/2024 | Incentivos à empregabilidade | Convergente |
| PL 1.363/2021 | Aposentadoria especial | Convergente |
| Fonte: CNI | ||





Senado Federal Girão anuncia representação no Conselho de Ética contra Davi Alcolumbre
Senado Federal CEsp vota reserva de assentos para autistas em arenas esportivas
Senado Federal CDH pode votar aumento de penas para discriminação em estádios de futebol
Senado Federal Convocados não comparecem e CPMI do INSS adia depoimentos
Senado Federal Paim destaca aprovação do Dia Nacional de Reflexão do ‘Cantando as Diferenças’
Senado Federal Debate aponta carência de atenção integral para pessoas com doenças raras Mín. 17° Máx. 25°
Mín. 21° Máx. 22°
ChuvaMín. 20° Máx. 26°
Chuva
Deputado Federal Rodolfo Nogueira Rodolfo Nogueira propõe acabar com redução de pena para traficantes
Deputado Gerson Claro Gerson Claro apresenta moção de apoio à árbitra Daiane Muniz e reforça enfrentamento ao machismo no esporte
Alípio Neto Desfile politizado termina em vexame e rebaixamento de escola que exaltou Lula e atacou valores cristãos
Vereador Herculano Borges Herculano Borges vota pela manutenção do veto à Taxa do Lixo e defende equilíbrio fiscal e social