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Justiça ‘Perdeu, mané’

MORAES VOTA PARA CONDENAR A 14 ANOS DE PRISÃO MULHER QUE PICHOU ESTÁTUA DO STF

A decisão foi fortemente criticada por setores da direita, que apontam um suposto autoritarismo do STF e a aplicação de penas excessivamente rigorosas contra manifestantes contrários ao governo.

21/03/2025 14h28 Atualizada há 11 meses
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MORAES VOTA PARA CONDENAR A 14 ANOS DE PRISÃO MULHER QUE PICHOU ESTÁTUA DO STF

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), votou pela condenação de Débora Rodrigues dos Santos a 14 anos de prisão por sua participação nos atos de 8 de janeiro de 2023, incluindo a pichação da frase “Perdeu, mané” na estátua “A Justiça”, que fica em frente ao edifício do tribunal. A decisão gerou intenso debate e reações entre pensadores e lideranças de direita, que classificaram a pena como desproporcional e motivada por viés político.

Além da prisão, o ministro também condenou Débora ao pagamento de uma multa no valor aproximado de R$ 50 mil e indenização de R$ 30 milhões por danos morais coletivos (em conjunto com os demais condenados pelo caso).

Débora foi acusada de crimes como associação criminosa, dano qualificado e tentativa de abolição do Estado democrático de direito. Em seu voto, Moraes argumentou que a ré participou ativamente dos atos antidemocráticos e tentou apagar provas ao apagar registros de seu celular antes de ser presa.

“Os atos de 8 de janeiro não foram meramente simbólicos, mas uma tentativa organizada de golpe de Estado. O vandalismo contra símbolos da democracia representa um ataque direto à institucionalidade e não pode ser tratado com leniência”, afirmou Moraes.

A decisão foi fortemente criticada por setores da direita, que apontam um suposto autoritarismo do STF e a aplicação de penas excessivamente rigorosas contra manifestantes contrários ao governo.

Para o ex-ministro da Justiça e professor de Direito Ives Gandra Martins, a pena é “claramente desproporcional”. “Temos casos de condenados por homicídio que recebem penas menores. O que a Débora fez foi um ato de protesto. Pode-se discutir se foi adequado ou não, mas tratá-la como uma criminosa perigosa fere os princípios da razoabilidade”, disse Gandra.

O filósofo e escritor Olavo de Carvalho, conhecido por suas posições conservadoras antes de seu falecimento, havia alertado repetidamente sobre o que considerava uma “ditadura do Judiciário”. Seu discípulo e colunista Flávio Gordon ecoou essa visão, afirmando que “o STF está criminalizando a oposição política sob o pretexto de proteger a democracia”.

 

A deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) também se manifestou nas redes sociais: “14 anos por uma pichação? Enquanto isso, criminosos que atentam contra vidas são soltos diariamente. Esse é o Brasil da justiça seletiva”.

 

O ministro condenou Debora pelos seguintes crimes:

  • Abolição violenta do Estado Democrático de Direito, pena de quatro anos e seis meses de reclusão;
  • Golpe de Estado, pena de cinco anos;
  • Dano qualificado, pena de um ano e seis meses, além do pagamento de multa;
  • Deterioração de patrimônio tombado, pena de um ano e seis meses, além do pagamento de multa;
  • Associação criminosa armada, pena de um ano e seis meses.

A luta por anistia e o impacto político

Setores da direita têm pressionado o Congresso para aprovar uma anistia aos presos dos atos de 8 de janeiro, argumentando que muitos foram detidos sem provas concretas de envolvimento em violência. O senador Rogério Marinho (PL-RN) declarou que a decisão de Moraes reforça a necessidade de uma revisão das penas aplicadas.

“Não podemos ter presos políticos no Brasil. A Justiça precisa ser aplicada de forma equilibrada, sem perseguições ideológicas”, afirmou Marinho.

Enquanto isso, especialistas apontam que a decisão do STF pode acirrar ainda mais a polarização política no país. Para o cientista político Paulo Kramer, “a postura dura do STF pode ter o efeito reverso de alimentar um sentimento de revolta e resistência na base bolsonarista, ao invés de pacificar o cenário político”.

A condenação de Débora Rodrigues, se confirmada pelos demais ministros da Suprema Corte, será um marco na forma como o Brasil lida com crimes políticos e manifestações populares, com desdobramentos ainda imprevisíveis no ambiente democrático brasileiro.

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