Campo Grande tem em torno de 1,4 mil pessoas vivendo em situação de rua atualmente. O dado resulta do Censo inédito sobre esta população feito pelo Grupo de Trabalho Intersetorial da População em Situação de Rua (GT-PSR), do qual a Prefeitura de Campo Grande faz parte.
Os dados do levantamento foram apresentados nesta quarta-feira (20) pela Secretaria de Assistência Social e Cidadania (SAS) e a Defensoria Pública de Mato Grosso do Sul. Com o censo, foram mapeadas informações que auxiliarão as instituições públicas no desenvolvimento e aperfeiçoamento de ações de atendimento.
De acordo com a secretária de Assistência Social e Cidadania, Camilla Nascimento, o levantamento servirá de base para o fortalecimento e a reestruturação da política da assistência social voltada a este público. A secretária ressaltou que o diagnóstico embasará a revisão do Plano Municipal de Assistência Social e a implantação de ações prioritárias imediatas, como o novo Centro POP.
“O enfrentamento deste cenário é um desafio complexo, que demanda um olhar estratégico e a evolução contínua das nossas políticas públicas. A apresentação do diagnóstico populacional representa um marco inédito para Campo Grande porque pela primeira vez na história do município, contamos com uma base de dados consolidada, integrada com diversos serviços e que será essencial para fundamentar a revisão do nosso Plano Municipal de Assistência Social. Este planejamento traz inovações significativas e metodologias de atendimento mais eficazes, amparadas pela tipificação dos serviços”, pontuou.
Ainda segundo a secretária, o fortalecimento da rede municipal de atendimento às pessoas em situação de rua prevê a inauguração do novo Centro POP nas próximas semanas. A unidade funcionará em um novo espaço já utilizado pelas equipes do Serviço Especializado em Abordagem Social (Seas) e contará com uma estrutura aprimorada, com mais espaço e atividades para este público. “É fundamental compreender que as questões relacionadas às pessoas em situação de rua se resolvem através de uma política pública estruturada, evolutiva e intersetorial”, disse.
Dados populacionais e perfil apurado
O trabalho de contagem e levantamento do perfil da população em situação de rua de Campo Grande teve início em setembro do ano passado e foi realizado pelo Grupo de Trabalho Intersetorial da População em Situação de Rua. Toda a dinâmica foi coordenada pelo Núcleo Institucional de Promoção e Defesa dos Direitos Humanos (Nudedh) da Defensoria Pública de Mato Grosso do Sul. A coordenadora do núcleo, defensora pública Thaisa Raquel Medeiros de Albuquerque Defante, destacou a relevância prática dos dados para a gestão pública.
“O relatório já foi encaminhado aos órgãos que trabalham com esses dados para o monitoramento e o acompanhamento das políticas aplicáveis. O documento também deve servir de base para que o Poder Público elabore políticas públicas a partir das informações levantadas”, afirmou.
A primeira etapa do estudo foi realizada via metodologia Point-in-Time Count (PIT) e identificou 1.476 pessoas em situação de rua, sendo 842 (57%) em vias públicas e 634 (43%) em serviços de acolhimento. O grupo é formado por 1.190 homens (80,6%), 234 mulheres (15,9%) e 52 crianças (3,5%). A Região Urbana do Centro concentrou 40% dos casos (566 pessoas), seguida pelo Anhanduizinho, com 25,6% (363 pessoas).
Também houve registros nas regiões Prosa, Lagoa, Segredo, Bandeira e Imbirussu. Outras 60 pessoas foram contabilizadas em uma comunidade terapêutica na área rural do município.
Aplicação de Questionários
A etapa de entrevistas ocorreu no primeiro semestre e ouviu 257 pessoas, sendo que 193 pertenciam ao grupo em rua e 64 estavam acolhidas em equipamentos da SAS ou instituições parceiras. O estudo revelou predomínio de homens cisgênero (76,3%) e pardos (60,3%), com média de 39,6 anos.
A falta de documentos atinge 46,7% do total e 57,5% dos que vivem estritamente na rua. O estudo registrou ainda 135 inscritos no Cadastro Único, 101 beneficiários sociais e 64,6% de casos recorrentes na rua. Na geração de renda, predominam os trabalhos informais (94 relatos, com foco em catagem e reciclagem) frente a sete formais. Relatos de violência física atingiram 49,4%. Já a violência psicológica ou emocional apareceu em 121 registros, enquanto 56 pessoas relataram violência institucional e 24 informaram violência sexual.
A situação de rua não era uma experiência inédita para parte dos entrevistados. O relatório aponta recorrência em 166 registros, ou 64,6% da base. Além disso, 190 pessoas, 73,9%, informaram permanecer sozinhas.
Entre as necessidades apontadas pelos entrevistados estão trabalho e renda, com 110 registros; moradia, com 108; alimentação, com 107; saúde, com 100; documentação, com 91; e tratamento para uso de substâncias, com 77. No grupo em rua, a alimentação aparece como a necessidade mais citada. Entre as pessoas acolhidas, trabalho, renda e moradia ocupam as primeiras posições.
O GT-PSR é formado pela Defensoria Pública de Mato Grosso do Sul, Secretaria de Estado de Assistência Social e dos Direitos Humanos (SEAD), Secretaria-Executiva de Gestão Estratégica e Municipalismo (SEGEM), Agência Municipal de Meio Ambiente e Planejamento Urbano (Planurb), Secretaria Municipal de Assistência Social e Cidadania (SAS), Secretaria Municipal de Saúde (Sesau), Ministério Público do Estado de Mato Grosso do Sul, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e Associação Águia Morena de Redução de Danos.
Campo Grande - MS Emha pausa atendimento no Pátio Central para manutenção
Campo Grande - MS Prefeitura convoca 30 candidatos aprovados no concurso da GCM
Campo Grande - MS Todos em Ação: Oficina gratuita transforma filtro de café em artesanato
Campo Grande - MS Fumacê percorre três bairros nesta quarta-feira (19)
Campo Grande - MS Bloqueio na Rua João XXIII altera trânsito nesta quarta
Campo Grande - MS FAC leva economia e qualidade para cursos de cozinha Mín. 19° Máx. 35°
Mín. 18° Máx. 28°
Tempo nubladoMín. 15° Máx. 26°
Tempo limpo
Deputado Estadual Cel David Coronel David garante reconhecimento do Corpo Musical da PMMS como patrimônio cultural de MS
Alípio Neto Após matéria do CORREIO PANTANAL, Cassy Monteiro declara apoio a Flávio Bolsonaro, mas atuação pública ainda levanta questionamentos
Vereador Herculano Borges Vereador Herculano Borges prestigia Semana do Meio Ambiente e destaca projeto desenvolvido por escola estadual
Vereador Papy Papy promove almoço especial de Dia das Mães com sorteios e atrações musicais em Campo Grande