Tratar uma alergia sem saber exatamente o que a provoca pode transformar o cuidado em uma longa jornada de tentativas. Em muitos casos, pacientes passam anos controlando crises, usando medicamentos para aliviar sintomas ou evitando alimentos e ambientes por suspeita, sem identificar com precisão o fator que desencadeia as reações.
No inverno, esse caminho pode ficar ainda mais confuso. Espirros, coriza, congestão nasal, coceira nos olhos e tosse persistente muitas vezes são associados a gripes, resfriados ou mudanças de temperatura. Mas, quando retornam com frequência, persistem por semanas ou aparecem sem febre, esses sinais podem indicar um quadro alérgico ainda não investigado.
Às vésperas do Dia Mundial da Alergia, celebrado em 8 de julho, o alerta é para a importância de ir além do controle dos sintomas e buscar a identificação dos fatores que desencadeiam as reações alérgicas. Segundo a Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI), os quadros alérgicos cresceram 40% no país em 2025. Estima-se que a rinite alérgica afete até 30% dos jovens brasileiros, impactando diretamente o rendimento escolar devido à fragmentação do sono e ao mal-estar constante.
"O resfriado comum é causado por vírus, costuma vir acompanhado de febre baixa e, em geral, dura de 5 a 7 dias. Já a alergia é uma resposta exagerada do sistema imunológico a agentes externos, não costuma causar febre e pode se prolongar por semanas ou até meses, piorando com mudanças de temperatura", diz a Dra. Ana Paula Castro, especialista em alergia e imunologia.
Quando descobrir a causa faz toda a diferença
Identificar exatamente quais substâncias estão associadas às crises alérgicas pode transformar a jornada do paciente. Afinal, compreender a origem do problema ajuda o médico a direcionar melhor o acompanhamento, evitar condutas baseadas apenas em suposições e definir estratégias mais adequadas para cada caso.
A medicina mudou em 1966, quando a descoberta da Imunoglobulina E (IgE) revelou o anticorpo "vilão" das reações alérgicas. O que antes era subjetivo ganhou forma laboratorial em 1967 com o nascimento do primeiro teste in vitro que permitiu aos médicos "enxergar" a alergia no sangue do paciente. Foi o início de um legado de inovação que transformou a cidade de Uppsala, na Suécia, no berço mundial da imunoalergologia.
Com a evolução contínua hoje, ao substituir os antigos discos de papel por uma matriz tridimensional capaz de capturar até três vezes mais proteínas, a tecnologia elevou o diagnóstico ao patamar de Padrão-Ouro. Não se trata apenas de saber se o paciente é alérgico, mas de identificar com exatidão a molécula específica que desencadeia a crise. É a transição do diagnóstico genérico para a medicina de precisão, permitindo que crianças pequenas ou pacientes com crises severas de pele — que não podem realizar testes cutâneos — tenham acesso a resultados quantitativos e rastreáveis por padrões internacionais da Organização Mundial da Saúde (OMS).
Essa trajetória, que teve início há mais de meio século, agora atinge seu ápice com o diagnóstico molecular. Ao dissecar o perfil de sensibilização em nível de componentes, o médico pode prever riscos de reações graves, como anafilaxia, e personalizar a imunoterapia com maior assertividade.
Para Patrícia Munerato, Diretora Sênior do Grupo de Diagnósticos Especializados da Thermo Fisher Scientific na América Latina, a evolução dos exames laboratoriais permitiu que a investigação das alergias avançasse para um nível de precisão que antes não era possível.
"Durante muito tempo, o foco esteve concentrado apenas no controle dos sintomas. Hoje, a ciência oferece ferramentas capazes de apoiar a identificação dos fatores associados às reações alérgicas, contribuindo para decisões clínicas mais individualizadas e assertivas", destaca.
Dicas práticas para um inverno seguro
Além do acompanhamento médico e da investigação dos fatores desencadeantes, algumas medidas ambientais podem ajudar a reduzir a exposição aos alérgenos, especialmente durante o inverno:
Mais informações sobre alergias, sintomas, fatores desencadeantes e opções de investigação estão disponíveis no Allergy Insider: https://www.thermofisher.com/allergy/br/pt/home.html, plataforma educacional voltada à conscientização sobre alergias.
A utilização desses produtos para fins de diagnóstico é de inteira responsabilidade do serviço de saúde que deverá atender aos requisitos contidos na RDC 786/2023 da ANVISA, Subseção I, Artigos 129 a 135.
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