O avanço do Brasil nos indicadores globais de inovação contrasta com um desafio recorrente enfrentado por empresas: transformar iniciativas inovadoras em resultados consistentes. Segundo a edição de 2025 do Índice Global de Inovação (IGI), da Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI), o Brasil ocupa a 52ª posição entre as economias avaliadas, mantendo a liderança na América Latina e acumulando um avanço de 20 posições desde 2015.
Apesar da evolução do ambiente de inovação, especialistas apontam que a implementação de projetos corporativos ainda enfrenta obstáculos relacionados à gestão e ao acompanhamento das iniciativas. De acordo com Bruno Dietrich Bicca, cofundador da Origin Inovação, empresa brasileira especializada no desenvolvimento de fundo de investimentos em startups e programas de inovação para médias e grandes corporações, a governança é um dos fatores que contribuem para que projetos avancem além da fase experimental.
"A governança conecta inovação à estratégia da empresa. Ela estabelece quem toma decisões, quais critérios serão utilizados para aprovar investimentos, como os projetos serão acompanhados e em que momento uma iniciativa deve avançar ou ser encerrada", afirma.
Segundo Bicca, é comum que empresas invistam em programas de inovação, como hackathons, provas de conceito e parcerias com startups, mas encontrem dificuldades para mensurar os resultados obtidos.
"Quando as iniciativas não possuem responsáveis definidos, critérios objetivos de avaliação e conexão com os desafios do negócio, o risco é que o entusiasmo inicial não se traduza em impacto para a empresa", explica.
O especialista destaca ainda que inovação e operação possuem características distintas. Enquanto as atividades operacionais priorizam previsibilidade e eficiência, projetos inovadores dependem de experimentação, velocidade e aprendizado contínuo. Por esse motivo, algumas organizações adotam estruturas específicas para conduzir programas de inovação, com processos, orçamento e indicadores próprios.
Entre as práticas apontadas por Bicca para fortalecer a governança da inovação estão a definição de desafios estratégicos antes da busca por soluções tecnológicas, a criação de uma tese de inovação alinhada aos objetivos da empresa, a formação de comitês com poder de decisão e o acompanhamento contínuo dos resultados dos projetos.
"Mais do que investir em tecnologia, é importante criar mecanismos que conectem experimentação, tomada de decisão e geração de resultados para o negócio. Sem uma estrutura de governança, iniciativas inovadoras tendem a consumir recursos sem produzir impactos relevantes", conclui.
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