Para que os seres humanos suportem a convivência com milhões de microrganismos que coabitam a Terra (bons e patogênicos) é necessário que tenham uma sólida linha de defesa. E essa defesa é feita pelo sistema imunológico, que se mantém em constante alerta para eliminar substâncias estranhas e patógenos. O sistema imunológico é formado por vários tipos de células, cada uma responsável por situações de defesa específicas.
Por exemplo, os macrófagos englobam e destroem células danificadas e envelhecidas, restos celulares e agentes estranhos, enquanto as células T helper são responsáveis por coordenar toda a resposta de defesa. As células NK (Natural Killer) são aquelas que eliminam células anormais – infectadas por vírus ou com alterações tumorais –, enquanto as células B são as responsáveis pela produção de anticorpos.
Os cientistas afirmam que, embora as células imunes interajam entre si, também se comunicam com células tipicamente associadas a outros sistemas de órgãos incluindo os nervosos, circulatórios, metabólicos, musculoesqueléticos, endócrinos e hematopoiéticos. E um dos órgãos que fazem parte da primeira linha de defesa é o intestino.
A engenheira de alimentos Helena Sanae Kajikawa, gerente da Divisão Ciências & Pesquisas da Yakult do Brasil, explica que o intestino possui a maior superfície de contato do corpo humano com o ambiente externo. "Para agir contra invasores que possam entrar pelo sistema digestório, o órgão possui três pilares de barreira: o físico (células epiteliais), a microbiota intestinal e o sistema imune local, que abriga cerca de 70% das células de defesa do nosso corpo", acentua.
Uma das importantes funções das bactérias intestinais é atuar como barreira contra patógenos através da ocupação do espaço pelas bactérias benéficas e competição pelos nutrientes. Além disso, atuam na produção de substâncias antimicrobianas, alteração do pH do ambiente intestinal e estímulo do sistema imune. "Consequentemente, reduzem a proliferação dessa população e evitam que penetrem no organismo e causem doenças", acrescenta a gerente.
O intestino humano é composto por aproximadamente 100 trilhões de bactérias que formam a microbiota intestinal. Entretanto, alguns fatores colaboram para diminuir essa diversidade microbiana e, consequentemente, a imunidade. Entre os exemplos estão estresse e má alimentação, uso de medicamentos, tabagismo, sedentarismo e consumo de álcool. "Estudos científicos demonstram, ainda, que a composição da microbiota intestinal está associada ao processo de envelhecimento e pode impactar a saúde como um todo", reforça a gerente da Yakult.
A interação entre a microbiota intestinal e o sistema imunológico é citada no artigo científico ‘The role of intestinal microbiota and immune system interactions in autoimmune diseases’. Os autores descrevem que o desequilíbrio intestinal (disbiose) está fortemente associado à patogênese de vários distúrbios autoimunes, incluindo doença inflamatória intestinal, esclerose múltipla, artrite reumatoide e diabetes tipo 1.
Probióticos O artigo científico ‘Probiotics mechanism of action on immune cells and beneficial effects on human health’ explica que as células imunes e os microrganismos comensais no intestino se comunicam e interagem constantemente em um ambiente estável para manter a atividade imunológica saudável. "As bactérias probióticas podem interagir e estimular as células imunes intestinais e a microbiota comensal para modular funções imunológicas específicas e a homeostase imunológica", detalham os autores.
A meta-análise ‘Effects of probiotic supplementation on natural killer cell function in healthy elderly individuals’ avalia como o consumo diário de probióticos impacta a imunidade celular em idosos. As células NK são um tipo de glóbulos brancos críticos para a imunidade inata. Entretanto, à medida que as pessoas envelhecem, o sistema imunológico naturalmente enfraquece, tornando os idosos mais suscetíveis a infecções — imunossenescência. "O agrupamento de dados desses ensaios mostrou que alguns probióticos aumentaram significativamente a atividade das células NK em idosos saudáveis", relatam os autores.
No estudo ‘Effect of a fermented milk drink containing Lactobacillus casei strain Shirota on the human NK cell activity’, pesquisadores do Instituto Central Yakult, no Japão, examinaram o efeito do consumo de leite fermentado contendo Lactobacillus casei Shirota no sistema imunológico de adultos saudáveis, especialmente na atividade das células NK e nas células do sangue periférico. A intenção era investigar os mecanismos intrínsecos do efeito antitumoral da cepa.
O L. casei Shirota é a cepa exclusiva da Yakult, descoberta em 1935 e presente em todos os leites fermentados da marca há mais de 90 anos. "Neste estudo, ficou demonstrado que a ingestão habitual de L. casei Shirota influenciou positivamente a atividade das células NK nos participantes de meia-idade, assim como a inibição da diminuição da atividade das células NK nos idosos", relata a gerente da Yakult do Brasil.
Vitamina D
A vitamina D também desempenha papel importante na modulação das respostas imune inata e adaptativa e, consequentemente, ajuda o organismo a combater infecções e inflamações. Além disso, auxilia no sistema muscular, ajuda na formação de ossos e dentes, na absorção de cálcio e fósforo pelo organismo. A vitamina D também é vital para tecidos extrarrenais, saúde pré-natal, gravidez, função cerebral, prevenção do câncer, saúde cardiovascular e, ainda, auxilia na manutenção de níveis de cálcio no sangue.
Recentemente, a multinacional Yakult lançou, no Brasil, o Yakult 40 com 40 bilhões de L. casei Shirota e vitamina D, dirigido principalmente para consumidores adultos, de vida agitada ou com idade avançada – cuja microbiota costuma ser menos diversificada e saudável. "Entendemos que a ação benéfica do probiótico L. casei Shirota aliada à vitamina D promoverá maior benefício à microbiota intestinal e, consequentemente, à imunidade", acentua a engenheira Helena Sanae Kajikawa.
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