A Babá Certa passou a comparar o rosto da candidata a babá com a foto do seu documento, verificando se há uma pessoa viva diante da câmera, antes de liberar o perfil para as famílias. A biometria se soma à validação dos dados na Receita Federal — nome, CPF e data de nascimento — e à consulta de antecedentes na Polícia Federal.
Na verificação de identidade, a imagem registrada no cadastro é confrontada com a foto do documento oficial, e os dados do documento são lidos e conferidos. A prova de vida serve para distinguir uma pessoa real de uma foto ou de um vídeo exibidos à câmera, recurso comum em tentativas de fraude. Quando o rosto não corresponde ao documento, o cadastro não avança; só depois desse cruzamento o perfil fica visível para quem procura uma profissional.
A mudança acompanha o aumento das fraudes de identidade no país. No Brasil, cerca de 80% das pessoas já se depararam com deepfakes, segundo o Veriff Deepfakes Report 2026, e o acerto médio ao tentar identificar uma falsificação ficou em 0,08 numa escala até 1. Só entre janeiro e setembro de 2025, foram quase 11 milhões de tentativas de fraude, segundo o Indicador de Tentativas de Fraude da Serasa Experian.
No trabalho doméstico, esse risco é agravado por um setor de alta informalidade. O país registrou cerca de 5,6 milhões de trabalhadores domésticos no fim de 2025, mais de 75% deles sem carteira assinada, segundo o Ministério do Trabalho. Boa parte da contratação de babás ainda ocorre por indicação, grupos de mensagens e classificados, em que um nome e uma foto bastam para criar um perfil.
Para Cynthia Freitas, fundadora da Babá Certa, a verificação tinha de vir antes do primeiro contato. "Hoje, qualquer pessoa monta um perfil com um nome e uma foto. A biometria serve para confirmar que é mesmo ela", afirma.
A confirmação também pesa para quem se candidata. Para a babá com documentos e referências em ordem, a identidade verificada a separa dos perfis falsos que circulam em anúncios e grupos, e reduz o risco de ter o próprio nome usado por terceiros. A plataforma reúne os dados, mas não emite parecer sobre a candidata.
A fundadora pondera que a tecnologia organiza a conferência, mas não decide por ninguém. "Reunimos biometria, dados na Receita Federal e antecedentes na Polícia Federal, mas a decisão de contratar continua sendo da família", diz Cynthia Freitas. Nenhuma verificação, acrescenta, elimina o risco por completo.
Na prática, a checagem passa a acontecer antes da família ver o perfil. Nas indicações e nos grupos de mensagens, a confirmação de identidade, quando existe, costuma vir apenas depois do primeiro contato.
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