A artista visual campo-grandense Sara Welter, conhecida como Syunoi, está produzindo a cartilha educativa “Resquícios do Tempo: Complexo Ferroviário”, projeto que reúne ilustrações, pesquisa histórica e ações educativas sobre a antiga Estrada de Ferro Noroeste do Brasil (NOB) em Campo Grande. O material será lançado em junho junto a uma exposição artística e oficinas em escolas municipais.
O planejamento conta com investimento da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), do Ministério da Cultura, com execução da Prefeitura de Campo Grande por meio da Fundação Municipal de Cultura (Fundac).
A cartilha começou a ser desenvolvida nos últimos meses e faz parte da série “Resquícios do Tempo”, criada por Sara em 2021 para registrar e preservar memórias de espaços históricos da Capital. Desta vez, o foco é o complexo ferroviário de Campo Grande e os impactos da ferrovia na formação cultural e urbana da cidade.
O material reúne histórias, pesquisas e desenhos autorais de 12 locais ligados à trajetória ferroviária sul-mato-grossense, como a Estação Ferroviária, o Casarão Thomé, a Casa da Chefia, a Caixa D’água da NOB, os vagões abandonados e a antiga baldeação para Ponta Porã.
Segundo a artista, a proposta surgiu da preocupação com o abandono de patrimônios históricos e da dificuldade de acesso da população às informações sobre esses espaços. “Existe uma curiosidade sobre a história desses lugares antigos, mas muitas pessoas não têm acesso a essas informações. Também há muitos locais abandonados e descuidados. É importante falar sobre essa história para incentivar a preservação”, afirma Sara.

A produção da cartilha envolveu dois meses de pesquisa histórica e três meses de elaboração dos desenhos em nanquim e carvão, técnica usada pela artista para destacar marcas do tempo, rachaduras e contrastes das construções antigas. A etapa de diagramação será concluída em junho.
Além da publicação gratuita, o projeto prevê distribuição em escolas, bibliotecas e instituições culturais, incluindo versões acessíveis em braille. Também estão previstas oficinas educativas e um evento de lançamento com exposição dos desenhos originais, palestra sobre preservação patrimonial e apresentações artísticas.
“Sabemos o quanto a ferrovia influenciou a identidade de Campo Grande. A intenção é aproximar as pessoas dessa história e criar novas formas de olhar para a cidade”, destaca a artista.
O empreendimento cultural já teve desdobramentos anteriores, incluindo exposição no MARCO durante o Festival Campão Cultural e participação na 1ª Conferência Internacional das Tecnologias Sociais da Memória, realizada em São Paulo, em 2025.
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