A automação impulsionada por inteligência artificial tem se consolidado como uma das principais prioridades estratégicas das empresas em nível global. No entanto, especialista aponta que o sucesso dessas iniciativas depende também da capacidade das organizações de redesenhar processos e gerenciar talentos de forma integrada.
Atualmente, 61% dos empregadores no mundo planejam aumentar seus investimentos em automação, com o objetivo de otimizar operações, elevar a eficiência e acelerar a tomada de decisões.
"Cada vez mais organizações identificam oportunidades de automação em diferentes frentes, incluindo processos operacionais, administrativos e até na comunicação com stakeholders. No entanto, automatizar, por si só, não garante melhores resultados sem uma estratégia bem definida", afirma Jorge Gamero, diretor da Experis para a América Latina.
O avanço acelerado da automação também tem levado parte das empresas a considerar a redução de equipes. Em alguns casos, porém, organizações precisaram recontratar profissionais ao constatar que as soluções atuais ainda demandam supervisão humana constante.
Segundo Gamero, a ideia de substituição completa da força de trabalho pela tecnologia tende a ser limitada ao curto prazo. "A automação baseada em inteligência artificial não elimina a necessidade de intervenção humana. Sem o redesenho de funções e sem supervisão adequada, operações automatizadas podem apresentar falhas com rapidez", destaca.
Diante desse cenário, a recomendação é adotar uma abordagem estratégica, na qual a automação atue como complemento às capacidades humanas, e não como substituição integral. Esse modelo tende a ampliar ganhos de produtividade ao mesmo tempo em que reduz riscos operacionais.
Nos próximos cinco anos, a expectativa é de mudanças significativas em diferentes áreas profissionais como resultado do avanço da automação. Entre os setores com maior velocidade de transformação estão TI e Dados (76%), Manufatura e Produção (71%) e Vendas e Marketing (71%), refletindo uma reconfiguração nas formas de operação, gestão de dados e relacionamento com clientes e parceiros.
À medida que a automação se expande, cresce também o desafio de preservar a experiência humana nas interações com clientes e demais públicos estratégicos. A tendência de ambientes com menor presença de profissionais, como lojas e espaços comerciais altamente automatizados, reforça a necessidade de equilibrar eficiência operacional e qualidade no atendimento.
"As empresas precisam se perguntar o que acontece quando um cliente enfrenta algo complexo e não encontra ninguém para ajudá-lo. A tecnologia pode aumentar a eficiência, mas a experiência humana continua sendo um fator essencial para o negócio", conclui Gamero.
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