O setor de seguros no Brasil passa por uma transformação estrutural impulsionada pela adoção de inteligência artificial (IA) e análise avançada de dados. A substituição de sistemas tradicionais por operações digitais e integradas responde à demanda por processos mais ágeis, padronizados e transparentes, alinhados às expectativas de consumidores habituados a serviços digitais.
Nesse contexto, seguradoras passam a otimizar o fluxo de gestão de sinistros de ponta a ponta. Com o uso de algoritmos e automação, etapas que antes levavam dias podem ser concluídas em minutos, com ganho de consistência técnica na regulação de danos.
Escala global e uso intensivo de dados
No cenário internacional, a aplicação de tecnologia em larga escala já apresenta ganhos de eficiência operacional. A Solera, empresa com atuação em 120 países, processa cerca de 1 milhão de sinistros diariamente, envolvendo aproximadamente 2 milhões de peças automotivas. A integração entre softwares especializados e bases de dados globais permite padronizar análises e acelerar decisões.
Segundo Marcelo Picolo, diretor-executivo da companhia na América do Sul, a tecnologia vai além da digitalização de tarefas. "Não se trata apenas de digitalizar processos, mas de estruturar a operação com base em dados, permitindo decisões mais rápidas e precisas ao longo de toda a jornada do sinistro", afirma.
Eficiência operacional e impacto no negócio
A maior precisão na avaliação de danos contribui diretamente para o controle de custos e a redução de etapas burocráticas. Com isso, o sinistro deixa de ser visto apenas como um centro de custo e passa a assumir papel estratégico na experiência do cliente e na eficiência financeira das seguradoras. A redução de retrabalho e o aumento da produtividade das equipes técnicas também elevam o padrão de atendimento em momentos críticos. "Ao reduzir tempo e retrabalho, o impacto vai além do financeiro. Há uma mudança na percepção de valor do cliente, o que se torna um diferencial competitivo", diz Picolo.
Adoção tecnológica ganha relevância no Brasil
No mercado brasileiro, a complexidade técnica das análises e a pressão por eficiência aceleram a adoção de soluções baseadas em IA. A tendência é que essas ferramentas deixem de ser complementares e estruturem as operações do setor. O avanço de parcerias voltadas à integração tecnológica reforça esse movimento e aponta para a consolidação de um novo padrão de atendimento. "A IA permite decisões mais rápidas, precisas e consistentes. As empresas que estruturarem esse modelo tendem a operar em um novo patamar nos próximos anos", conclui o executivo.
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