O mercado brasileiro de energia vive um paradoxo técnico: a abundância de geração solar durante o dia contrasta com a escassez de oferta nos momentos de maior demanda. Para discutir os rumos desse cenário, a Performa Energy realizou, no dia 10 de abril, o Café com Energia, no restaurante Fasano BH em Belo Horizonte (MG), reunindo geradores, comercializadoras e investidores.
O evento, idealizado por Pedro Melo (CEO da Performa Energy) e pela advogada Raquel Arantes (do escritório Raquel Arantes Advocacia), marca o início de uma série de encontros voltados a integrar os atores do setor e consolidar um hub de negócios e defesa de interesses do mercado. O debate contou com a participação de lideranças empresariais como Cledorvino Belini e Maura Galuppo, que trouxeram visões estratégicas sobre os desafios regulatórios e operacionais atuais.
Um dos temas centrais foi o fenômeno do curtailment, ou cortes de geração, que ocorre quando o sistema não tem carga suficiente para absorver a energia gerada. Segundo dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), o perfil de consumo mudou drasticamente nos últimos cinco anos. Renato Zebral, da Wieza Energia, ressaltou que "no horário em que temos energia disponível, não temos consumo suficiente, entre 10h e 16h, enquanto no horário em que temos maior carga de energia, das 17h às 22h, o sistema está no limite máximo de produção, gerando rampas que já chegaram a 40 GW". Para Zebral, a solução para esse desequilíbrio pode ser em parte atenuada por tecnologias como BESS (Sistemas de Armazenamento por Baterias) e térmicas de despacho rápido por meio da hibridização de usinas.
As projeções indicam que a necessidade de rampa de carga no sistema de saltar de aproximadamente 25 GW em 2024 para 50 GW em 2028, mas o ONS aponta que o índice já tem alcançado os 40 GW ainda em 2026. Segundo Pedro Melo, vários modelos podem ser seguidos para a comercialização da energia, mas o mercado está ficando cada vez mais sofisticado e será necessária uma gestão próxima do cliente e dos geradores para que se possa ter maior rentabilidade do ativo. "Principalmente em função da alta volatilidade que o mercado tem apresentado, a gestão de energia vai demandar, cada vez mais, capacitação técnica e conhecimento do mercado", afirma o CEO.
Além da parte técnica, o encontro abordou a escolha estratégica entre montar uma comercializadora própria ou optar pela locação de usinas, uma dúvida frequente para investidores. Delcides Telles, sócio da Wieza Energia, também contribuiu para a análise sobre como o armazenamento de energia pode viabilizar parques fora dos regimes tradicionais de leilão, permitindo que os próprios agentes comprem energia no horário de excesso e a vendam no horário crítico.
Com essa iniciativa, a Performa Energy busca fortalecer a conexão entre ideias e capitais, preparando o setor para as mudanças trazidas pela abertura do mercado e pela modernização regulatória.
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