Com a inadimplência ainda em níveis elevados no Brasil, o mercado de crédito passa a estruturar novas soluções para capturar valor antes da deterioração total das carteiras. Nesse contexto, ganha força uma nova infraestrutura baseada na quitação definitiva de dívidas à vista, adotada por fintechs e fundos especializados por combinar alívio financeiro ao consumidor com maior eficiência na recuperação de ativos — um modelo com potencial de atender um mercado superior a R$ 1 trilhão em dívidas e já movimentar até R$ 1 bilhão em crédito.
Com mais de 81 milhões de brasileiros inadimplentes, segundo dados recentes da Serasa, fintechs e fundos de crédito começam a estruturar novas soluções para o mercado, como o financiamento da quitação definitiva de dívidas à vista antes que as carteiras avancem para ciclos mais longos de deterioração.
A lógica financeira parte de um gargalo histórico do setor. Embora a liquidação à vista concentre os maiores descontos, grande parte dos consumidores negativados não possui liquidez para aproveitar essa condição, mantendo o passivo em renegociações sucessivas, inadimplência recorrente ou posterior venda no mercado de NPL.
Nesse cenário, começa a ganhar escala um modelo que inaugura uma terceira via entre renegociação parcelada e compra de carteiras estressadas, sem envolver aquisição de carteiras ou transferência de direitos creditórios: a antecipação de recursos para a quitação integral da dívida junto ao credor original, com liquidação direta do passivo na origem e eliminação completa do risco futuro para o credor.
A partir daí, a dívida original é integralmente encerrada, sendo substituída por uma nova obrigação financeira originada desde o início, com fluxo previsível, parcelas definidas e parâmetros mais claros de risco, desvinculada do passivo anterior já liquidado.
O movimento tem como um dos principais nomes à frente Edgard Melo, empreendedor no setor de recuperação digital de crédito. Antes de lançar a PraQuitar, Melo fundou a Acordo Certo, primeira plataforma online de negociação de dívidas do país, posteriormente adquirida pela Boa Vista. A experiência ampliou sua leitura sobre os limites dos modelos tradicionais de renegociação e a necessidade de soluções focadas em liquidação definitiva e liquidez real.
A solução tem despertado interesse de investidores por criar uma nova infraestrutura de crédito baseada em ativos originados desde o dia um, sem a assimetria típica de carteiras adquiridas apenas após anos de deterioração.
"O mercado brasileiro sempre capturou valor após a deterioração. A inovação agora é capturar valor antes que ela aconteça", afirma Edgard Melo, CEO da PraQuitar.
Na visão de agentes do setor, o movimento cria uma camada intermediária entre a renegociação tradicional e a compra de carteiras estressadas, reposicionando a inadimplência como oportunidade de originação de crédito estruturado — e não apenas de cobrança.
A expectativa é que uma das primeiras estruturas dedicadas a esse modelo entre em operação no segundo semestre, com capacidade inicial próxima de R$ 1 bilhão, voltada à quitação de dívidas, geração de liquidez imediata para credores e formação de ativos para investidores institucionais. A estimativa é que mais de 20 credores — incluindo bancos, financeiras e empresas com carteiras cedidas — já participem da solução, ofertando a terceira via de quitação parcelada em seus canais de relacionamento.
O timing do modelo acompanha o pico histórico de inadimplência e a crescente busca por ativos mais previsíveis e estruturados por parte dos fundos de crédito. Em um país que já soma 327 milhões de débitos ativos e R$ 524 bilhões em dívidas, a evolução da cobrança para a quitação definitiva financiada pode consolidar uma nova classe de ativos no mercado de crédito brasileiro.
Sobre a PraQuitar
A PraQuitar é uma fintech de infraestrutura financeira e a terceira via de pagamento que transforma passivos em ativos performados desde a origem. Seu modelo atua antes da deterioração total da dívida, liquidando o valor à vista para o credor e estruturando uma nova obrigação financeira ao consumidor com fluxo previsível e capacidade real de pagamento. A empresa atende setores como bancos, fintechs, varejo, telecom, utilities, educação e saúde, ampliando liquidez, eficiência operacional e previsibilidade de caixa para grandes originadores.
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