Uma ideia inovadora desenvolvida ao longo da carreira de um pesquisador pode se transformar em empresa, gerar empregos e produzir soluções tecnológicas graças ao apoio de recursos públicos federais e estaduais. A trajetória da Selkis Biotech, sediada em Mato Grosso do Sul, se tornou um exemplo de como o apoio a projetos acadêmicos pode fazer a pesquisa científica virar um bom negócio.
A empresa foi uma das selecionadas pelo Programa Centelha 2 - MS e atua na produção de peptídeos sintéticos, moléculas formadas por cadeias de aminoácidos que podem ser utilizadas em pesquisas biomédicas, desenvolvimento de medicamentos, vacinas e outras aplicações científicas.
“A Selkis nasceu de uma ideia inicial que eu venho desenvolvendo ao longo da minha carreira de pesquisador, à medida que eu ia publicando artigos, me especializando em sínteses de peptídeos. É uma técnica bem definida, bem difundida, onde a gente consegue construir moléculas sintéticas”, explica o pesquisador e fundador da empresa, Ludovico Migliolo.
Segundo Migliolo, o conhecimento acumulado ao longo de anos de pesquisa foi o ponto de partida para a criação da empresa. A iniciativa também surgiu da percepção de que muitos estudantes formados em pesquisa científica tinham dificuldades para encontrar espaço no mercado.
“À medida que eu ia formando recursos humanos, esses alunos de mestrado e doutorado, o mercado não estava absorvendo. E com essa falta de absorção do mercado e tendo essa minha carreira, eu comecei pensar em como melhorar isso”, relata.
Foi nesse momento que surgiu a oportunidade de participar do Programa Centelha. Com os recursos do programa, a Selkis conseguiu estruturar sua operação e iniciar a produção de peptídeos sintéticos em Mato Grosso do Sul.
“Empreender em uma empresa como a Selkis, ainda durante a formação acadêmica, exige conciliar o rigor científico com uma visão estratégica de inovação. Trabalhar com uma equipe formada por pesquisadores em diferentes níveis de formação fortalece a multidisciplinaridade e permite que as decisões sejam baseadas em evidências”, afirma Pedro Henrique de Oliveira Cardoso, sócio da Selkis Biotech.
Hoje a empresa mantém um estoque de reagentes, resinas e aminoácidos que permite realizar todo o processo de produção dessas moléculas, desde a síntese até a purificação e validação, garantindo alto grau de pureza.
“O Centelha foi a principal subvenção econômica, a principal alavanca para jogar a gente para frente. Hoje a gente tem uma independência de produzir peptídeo dentro do Estado com a melhor qualidade possível”, afirma Ludovico.
“A subvenção do Centelha econômica reduziu riscos iniciais e proporcionou maior segurança na transição da pesquisa para o mercado, fortalecendo a base científica do empreendimento”, completa Cardoso.
Centelha 3
A terceira edição do programa será lançada no próximo dia 27 de março. O Centelha 3, como está sendo chamado, tem como objetivo apoiar ideias inovadoras ainda em fase inicial, especialmente nos estágios de ideação e prototipação, quando projetos costumam enfrentar maiores riscos tecnológicos e de mercado.
A iniciativa é coordenada nacionalmente pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), por meio da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), em parceria com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), o Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (Confap) e a Fundação CERTI.
Em Mato Grosso do Sul, o programa é executado pela Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia (Fundect), vinculada à Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc).
O edital prevê a seleção de até 47 propostas, conforme a disponibilidade orçamentária. Cada projeto poderá receber até R$ 89,6 mil em recursos de subvenção econômica, modalidade de financiamento que não exige reembolso. Além disso, cada iniciativa poderá contar com até R$ 45,5 mil em Bolsas de Fomento Tecnológico e Extensão Inovadora, concedidas pelo CNPq. O investimento total previsto para esta edição é de R$ 6,3 milhões.
Podem participar pessoas físicas com ideias inovadoras, como inventores, pesquisadores, professores e empreendedores, além de empresas nascentes com até 12 meses de existência. Todos os participantes devem submeter suas propostas como pessoa física e, caso sejam selecionados, deverão constituir uma empresa com CNPJ em Mato Grosso do Sul para receber os benefícios do programa.
As inscrições estarão abertas de 27 de março a 11 de maio de 2026 e devem ser realizadas por meio do Sigfundect, disponível no site da Fundect. Nas duas edições anteriores do programa no estado, foram selecionadas 79 startups, que receberam mais de R$ 5,9 milhões em investimentos. Ao todo, 809 ideias foram submetidas nas etapas anteriores. Para a terceira edição, a meta é alcançar mil ideias inscritas.
Comunicação Fundect
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