Os ovos de Páscoa começaram a ocupar as gôndolas dos supermercados ainda no fim de janeiro, mas, para a Páscoa deste ano, quem deve ganhar protagonismo na mesa dos brasileiros é o bacalhau. O produto apresentou forte retomada no varejo nos últimos meses depois de retração em 2025, com quedas de 26,6% no volume de vendas, de acordo com levantamento feito pela Qive, plataforma de contas a pagar, a partir de sua base de dados de notas fiscais.
Foram analisadas 26 milhões de notas fiscais da base da Qive, com abrangência nacional, com movimentações financeiras efetivas (isto é, de compra, venda, devolução, transferência, remessa, retorno, entre outras operações), entre janeiro de 2021 e fevereiro de 2026. A companhia já gerenciou mais de 5,7 bilhões de documentos fiscais nos últimos doze anos. As informações obtidas sugerem uma retomada vigorosa nos estoques do bacalhau e peixes secos para a data, e se o ritmo atual persistir, o pico deste mês poderá superar os recordes de 2024 — ano que apresentou forte expansão no setor, com crescimento de 29%. Além disso, um indicador sólido desse aquecimento é o ticket médio de fevereiro de 2026, que acumula cerca de R$ 20 mil.
"Historicamente, o bacalhau é um item sensível a preço na Páscoa, e isso tende a mudar o ritmo de compras ao longo do trimestre. Na base transacional da Qive, essa categoria mostra retomada na virada de 2025 para 2026, com ticket médio recorde já em fevereiro. Esse tipo de movimento, antes do mês mais forte, costuma indicar antecipação de compras e pedidos de maior valor para preparar o abastecimento da Páscoa — um sinal de planejamento maior na cadeia", avalia Isis Abbud, co-CEO e cofundadora da Qive.
Chocolates: setor deve manter pico sazonal de movimentação em março
Já no setor de Chocolates e relacionados, a amostra analisada indica movimentação historicamente concentrada no primeiro trimestre do ano, atingindo o ápice também neste mês, que antecede a Páscoa. Essa tendência de pico sazonal tem se mantido constante nos registros dos últimos três anos. Em 2025, o ticket médio do segmento alcançou R$ 1.962,76, o que representa uma valorização de 21,6% em comparação ao ano anterior, 2024.
Ainda de acordo com os dados da Qive, observa-se um movimento de ‘afunilamento operacional’: o volume de notas fiscais recuou 23,8% em 2024 e 1,4% em 2025. Contudo, o faturamento seguiu a rota oposta, com altas de 24,4% e 19,9%, respectivamente. O que indica transações menos frequentes, porém de maior valor agregado.
"A redução no volume de notas fiscais, em contraste com o aumento expressivo no faturamento e no ticket médio, sugere uma concentração das compras em operações maiores. Em nossa leitura, é um sinal de profissionalização do estoque, planejamento e consolidação de pedidos para a temporada", encerra Isis.
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