Documentos administrativos revelam que a servidora da Câmara Municipal de Campo Grande que denunciou o então diretor-presidente da Fundação Municipal de Esportes (Funesp), Sandro Benites, já havia sido desligada do cargo antes de procurar a polícia para registrar a ocorrência e solicitar medida protetiva.
De acordo com registros do Diário do Legislativo, a exoneração da funcionária foi assinada em 2 de março de 2026 e publicada oficialmente dois dias depois, em 4 de março. O boletim de ocorrência e o pedido de proteção judicial, por sua vez, só foram formalizados no dia 7 de março.
A sequência das datas indica que o desligamento ocorreu antes de o caso se tornar público ou de qualquer denúncia formal ser apresentada às autoridades.
A mulher afirma ter sido alvo de ameaças e humilhações por parte de Benites, com quem mantinha um relacionamento extraconjugal. Segundo o relato, o conflito teria se intensificado após uma viagem do então diretor à Europa. Ela acreditava que ele viajaria com um grupo de amigos, mas posteriormente descobriu que a viagem havia sido feita com a esposa, o que teria desencadeado a discussão entre ambos.
A situação teria evoluído para ameaças e ofensas, o que levou a vítima a procurar a polícia e solicitar uma medida protetiva. A Justiça acatou o pedido e determinou que Benites mantenha distância mínima de 500 metros da denunciante, além de proibir qualquer tipo de contato entre as partes.
Outro ponto destacado nos registros administrativos é que a servidora trabalhava na Câmara Municipal há aproximadamente nove anos em cargo comissionado. Esse histórico, segundo informações divulgadas, enfraquece a tese de que sua nomeação teria ocorrido por influência direta do diretor da Funesp, já que o relacionamento entre ambos seria mais recente.
Esses documentos também comprovam que não só a servidora, como demais servidores que faziam parte da gestão anterior à atual, foram exonerados para a contratação de pessoal que faz parte da gestão atual da Câmara Municipal de Campo Grande, assim sendo, impossível caracterizar perseguição, visto que tal fato antecede o rompimento de relacionamento, que sequer era divulgado.
O caso ganhou grande repercussão política na capital sul-mato-grossense. Diante da pressão pública e das cobranças de vereadores por esclarecimentos, Sandro Benites decidiu pedir exoneração do cargo de diretor-presidente da Funesp, alegando a necessidade de se dedicar à apuração dos fatos e à sua defesa.
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