Apesar de registrar uma pequena queda em 2024, de 1,77% para 1,51%, a média geral de perdas no varejo brasileiro teve impacto significativo, causando prejuízo de R$ 36,5 bilhões no período, de acordo com a última pesquisa da Associação Brasileira de Prevenção de Perdas (ABRAPPE). Datas-chave para o setor, como o Natal, acendem um alerta para o aumento nas ocorrências de furto e fazem com que os varejistas reforcem a proteção das mercadorias, principalmente aquelas de maior valor.
A adoção de sistemas de segurança tornou-se crucial para a redução de danos causados pelas perdas — itens protegidos com etiquetas rígidas ou adesivas e ambientes equipados com câmeras de vigilância e antenas antifurto são recursos indispensáveis para os estabelecimentos.
No entanto, ainda é bastante recorrente o confinamento de mercadorias em armários ou vitrines, prática que tanto pode oferecer maior proteção aos itens mais visados quanto inviabilizar sua venda, seja pela burocracia para retirada dos produtos, inibição do cliente ou simplesmente porque esses artigos não são encontrados nos setores onde deveriam estar expostos.
Outra medida drástica adotada por alguns varejistas, com o intuito de oferecer uma experiência de compra mais fluida, além de reduzir custos com mão de obra e simplificar operações, é a implementação de sistemas contra perdas guiados por inteligência (ILLP), que utilizam identificação por radiofrequência (RFID) para fornecer dados de inventário e combater certos tipos de ilícitos — porém, abolindo as etiquetas de seus programas de prevenção.
"Apesar do potencial dos programas baseados em ILLP e RFID, a chave para otimizar a prevenção deve estar no equilíbrio entre os elementos de dissuasão em tempo real, como etiquetas e antenas antifurto, e o monitoramento com base em análises para identificação de perdas" afirma Luiz Sanches, gerente-geral de varejo para o Brasil da Sensormatic Solutions, fornecedora global de soluções para o varejo da Johnson Controls. O executivo reforça que a eliminação das etiquetas, a exemplo do confinamento de mercadorias, pode ter efeito contrário na estratégia dos varejistas — neste caso, um aumento significativo das perdas.
Uma maior incidência de roubos e furtos afetaria também os hábitos de compra dos clientes, impactando ainda mais o desempenho do negócio, como mostra um estudo da Civic Science. A pesquisa, feita com consumidores norte-americanos, revela que 24% dos entrevistados que presenciaram crimes em lojas diminuíram a frequência de compras presenciais, enquanto 14% optaram por trocar de varejista. Outro levantamento, da Coresight Research, aponta que 26% dos consumidores evitariam estabelecimentos que adotassem o confinamento de produtos como medida de prevenção.
Por fim, abrir mão do uso de sistemas primários de proteção contra perdas criaria um ambiente de trabalho menos seguro, com colaboradores sendo submetidos a situações de risco ou até mesmo incentivados a participar de práticas criminosas.
"Cada tecnologia tem seu papel na prevenção de perdas. Sistemas RFID e de análise preditiva são importantes para análises históricas, identificação de perdas e planejamento proativo, mas sua função é complementar, e não substituir, os programas de etiquetas. Elementos visuais ainda são a primeira linha de defesa do varejista. Por isso, é fundamental uma estratégia personalizada para garantir maior segurança, sem que isso comprometa a experiência de compra e os lucros dos negócios" conclui Sanches.
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