A 5ª Comitiva Leite Ativo, realizada nesta sexta-feira (24/10) em Anaurilândia, reuniu produtores, técnicos e autoridades para debater práticas que fortalecem a cadeia leiteira em Mato Grosso do Sul. A iniciativa é da Frente Parlamentar do Leite, coordenada e presidida pelo deputado Renato Câmara (MDB), vice-presidente da Assembleia Legislativa, que destacou a importância da união entre governo, indústria e produtores para garantir renda e competitividade ao setor.
Durante o encontro, especialistas abordaram desde manejo alimentar do gado leiteiro até políticas públicas de incentivo. O zootecnista Roberto Nakayama explicou a importância de manter uma alimentação equilibrada ao longo do ano, com estratégias diferenciadas para o período de seca e de pasto abundante. Ele reforçou que o gado, assim como o ser humano, precisa de nutrição adequada todos os dias, e que o planejamento é essencial para garantir produtividade e qualidade do leite.
Nakayama apresentou soluções práticas e acessíveis para os produtores, como o uso da capineira — área cultivada com gramíneas de alta produtividade, cortadas e picadas para suplementar a dieta dos animais durante a escassez de pastagem — e o cultivo do capim BRS Capiaçu, uma variedade de capim-elefante desenvolvida pela Embrapa, com alto rendimento e ideal para silagem e alimentação verde. O capim pode atingir até quatro metros de altura e apresenta elevado valor nutritivo, sendo alternativa eficaz para reduzir custos na alimentação animal.
O zootecnista também ensinou técnicas para o aproveitamento da cana-de-açúcar, alimento tradicionalmente pobre em nutrientes e muito fibroso. Segundo ele, o processo de hidrólise com cal virgem ou cal hidratada melhora a digestibilidade, e o enriquecimento com ureia eleva o valor proteico, transformando a cana em uma base segura e nutritiva para o rebanho.
O presidente do Sindicato das Indústrias de Laticínios de Mato Grosso do Sul (Silems), Abraão Giuseppe Beluzi, abordou a formação do preço do leite e defendeu maior integração entre produtores, indústrias e poder público. Ele explicou que o custo final do produto é impactado por fatores como transporte, insumos, energia e tributos, e que a sustentabilidade do setor depende de políticas que equilibrem essas variáveis.
Beluzi também destacou que o Silems tem defendido um conjunto de medidas para fortalecer a indústria local, como priorizar nas compras públicas os produtos fabricados em Mato Grosso do Sul, rever a política tributária para itens importados de outros estados e retirar os laticínios sul-mato-grossenses do regime de substituição tributária do ICMS, o que, segundo ele, daria fôlego e competitividade ao setor produtivo.
Ele lembrou ainda que, na última terça-feira, representantes da Frente Parlamentar do Leite, da Silems, da Câmara Setorial do Leite e da Associação dos Laticínios se reuniram com o Governo do Estado para discutir a redução da carga tributária sobre os produtos derivados do leite. De acordo com o dirigente, o governo sinalizou positivamente à proposta, reconhecendo que os laticínios do Estado enfrentam desvantagem competitiva em relação a outros estados justamente pela alta tributação.
O representante da Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), João Roberto, apresentou os programas de incentivo ao setor leiteiro, como o Extra Leite, que prevê melhoramento genético, linhas de crédito, subsídios e até a distribuição de vacas da raça girolando para produtores classificados, estimulando a produtividade e a permanência das famílias no campo.
Estiveram presentes no encontro o prefeito Rafael Hamamoto, o presidente da Câmara Municipal, Celso Alves dos Santos, o secretário de Obras, Pachu, o secretário de Agricultura, Rodrigo Vieira, o coordenador regional da Agraer, Sandro Polloni, além de produtores de diversas regiões.
Para o deputado Renato Câmara, o avanço do setor depende da disseminação de conhecimento e do diálogo entre todos os elos da cadeia. “Essas ações mostram que o produtor quer se aperfeiçoar, quer continuar produzindo e gerando renda. Nosso papel é garantir que ele tenha condições técnicas e econômicas para isso”, afirmou.
A Comitiva Leite Ativo já percorreu Sidrolândia, Batayporã, Nova Andradina e Corguinho, consolidando-se como um movimento de valorização e fortalecimento da bacia leiteira de Mato Grosso do Sul.
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