Protocolos clínicos, pactuação interfederativa e foco no paciente marcam avanços na gestão hospitalar em áreas vulneráveis de MS
A SES (Secretaria de Estado de Saúde) participou, na última semana, da II Conferência do Comitê Regional de Hospitais, na Costa Leste do Estado, com contribuições decisivas para aprimorar o atendimento hospitalar nas regiões de interior, incluindo regiões de fronteira e áreas vulneráveis de Mato Grosso do Sul.
Representando a Secretaria, o médico João Ricardo Tognini e a superintendente de Gestão Estratégica, Maria Angélica Benetasso, apresentaram abordagens complementares sobre os desafios da saúde no interior e na fronteira, reforçando a importância da regionalização e da pactuação interfederativa.
Em sua palestra “Urgência e Emergência na Fronteira e Interior: Garantia de Acesso e Equidade”, João Ricardo reforçou que a regulação precisa estar centrada no paciente — e não apenas na vaga.
“A regulação precisa ser centrada na pessoa. É preciso contar com leitos disponíveis, mas, sobretudo, com uma avaliação clínica qualificada sobre quem realmente necessita deles. O paciente não é um número: é uma urgência concreta que exige decisão médica responsável”, afirmou.
Isso significa que a regulação deixa de priorizar apenas a vaga disponível e passa a ser guiada pela avaliação clínica, garantindo que cada paciente seja encaminhado ao serviço mais adequado, no momento certo.
Na prática
Além da regulação, ele apresentou projetos em andamento pela SES que buscam melhorar a resolutividade dos serviços.
“Esses protocolos são ferramentas que fortalecem a atuação dos profissionais da ponta. Quando o médico sabe o que fazer, com segurança e respaldo técnico, o paciente é atendido mais rápido e com mais qualidade”, ressaltou. Entre eles:
* Protocolo cardiológico de fibrinólise para IAMCSST (Infarto Agudo do Miocárdio com Supradesnivelamento do Segmento ST), que permite iniciar o tratamento ainda na unidade de origem, reduzindo riscos e tempo de espera.
* Fluxos clínicos padronizados para apendicite, colelitíase e pneumonia comunitária, que organizam o atendimento e evitam encaminhamentos desnecessários.
Ele também destacou a necessidade de redes assistenciais adaptadas à realidade dos municípios menores. “As cidades pequenas têm demandas reais e precisam de soluções próprias. A regionalização é o caminho para isso”, enfatizou.
Regionalização
Na sequência da programação, a superintendente de Gestão Estratégica da SES, Maria Angélica Benetasso, ministrou a palestra “Regionalização da Saúde e Pactuação Interfederativa: Caminhos para a Efetividade”.
Com base no PDR 2024 (Plano Diretor de Regionalização) e nas diretrizes do Programa Estadual de Incentivo Hospitalar, ela explicou como a regionalização organiza os serviços de saúde em níveis hierárquicos, respeitando a capacidade de cada hospital e garantindo o uso adequado da rede. “A pactuação entre municípios e Estado é o que torna possível um SUS que funciona. Quando todos trabalham juntos, o cuidado chega onde precisa, com dignidade e eficiência”, destacou.
Entre os pontos trazidos por Maria Angélica estiveram a classificação dos hospitais, que organiza as unidades por complexidade e perfil assistencial, direcionando cada paciente ao atendimento mais adequado; o planejamento integrado entre União, Estado e municípios, que garante a distribuição eficiente de recursos e serviços; o financiamento sustentável e a gestão participativa, que asseguram recursos e decisões alinhados às necessidades da população; e o uso de tecnologia e inovação, como telemedicina e sistemas digitais, que ampliam o acesso e tornam a rede hospitalar mais eficiente.
O evento reuniu gestores, profissionais de saúde e autoridades locais, e também contou com apresentações culturais, como a da Banda Marcial Cristo Redentor, criando um ambiente de troca, aprendizado e construção coletiva.
Danúbia Burema, Comunicação SES
Fotos: Divulgação
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