A convivência harmônica entre seres humanos e a fauna silvestre é um dos pilares do conceito de Saúde Única, que reconhece a interconexão entre a saúde humana, animal e ambiental. A adoção de boas práticas, baseadas em evidências científicas e princípios da conservação ambiental, contribui para um ecossistema equilibrado, onde a saúde de todos os seres vivos é valorizada de forma integrada.
Nesse sentido, foi lançado oficialmente o Guia de Boas Práticas para a Coexistência entre Seres Humanos e Quatis, uma iniciativa inédita da SES (Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso do Sul), por meio da Coordenadoria de Saúde Única, em parceria com o CRAS (Centro de Reabilitação de Animais Silvestres) e o IMASUL (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul). O material propõe orientações claras e acessíveis para que a população conviva de forma respeitosa e segura com os quatis, animais muito presentes em áreas urbanizadas do estado.
O guia aborda desde a biologia dos quatis até os riscos sanitários associados à interação inadequada, como a alimentação artificial e o contato físico. A publicação é rica em ilustrações, dados científicos e recomendações práticas, alinhando-se à abordagem de Saúde Única, que reconhece a interdependência entre a saúde humana, animal e ambiental.
“O lançamento deste guia representa um importante avanço na promoção da convivência harmônica entre a população e a fauna silvestre urbana. Em um contexto de expansão urbana e sobreposição de habitats, é essencial orientar a sociedade sobre comportamentos seguros, éticos e responsáveis. A saúde humana, a saúde animal e a preservação ambiental estão profundamente interligadas, e esse material dialoga diretamente com a abordagem da Saúde Única que temos promovido em Mato Grosso do Sul. Com informação acessível e embasada, buscamos reduzir riscos em saúde e fortalecer a consciência coletiva sobre a importância da conservação da biodiversidade nos territórios em que vivemos”, ressalta a superintende de Vigilância em Saúde da SES, Larissa Castilho.
A interação entre humanos e quatis pode resultar em consequências significativas para a saúde animal e humana. Estudos indicam que a alimentação artificial oferecida por humanos altera os parâmetros bioquímicos dos quatis, predispondo-os a doenças como obesidade e diabete. Sob a ótica da Saúde Única, tais práticas também aumentam o risco de transmissão de zoonoses, destacando a necessidade de intervenções que considerem os impactos na saúde coletiva.
Para Danila Frias, coordenadora de Saúde Única da SES e uma das autoras do guia, o material representa um marco importante na educação ambiental do estado. “A coexistência harmoniosa com os quatis é possível, mas exige conhecimento, respeito e mudança de comportamento. Este guia nasce como uma ferramenta educativa e transformadora, integrando ciência, conservação e saúde pública”, afirmou a coordenadora de Saúde Única da SES.
Já Aline Duarte, médica veterinária do CRAS e colaboradora do guia, reforça a importância da prevenção. “Nosso objetivo é evitar que práticas bem-intencionadas, como alimentar os quatis, acabem prejudicando esses animais. Uma alimentação inadequada pode causar doenças, alterar o comportamento natural e aumentar os riscos de zoonoses. O guia mostra que proteger os quatis é também proteger a nós mesmos”, explica Aline Duarte.
O diretor-presidente do Imasul, André Borges, destacou o caráter inovador da iniciativa. “O guia reforça a importância de se entender que a convivência com a fauna exige responsabilidade. Em tempos de urbanização crescente, a orientação da população é fundamental para garantir tanto a proteção dos animais quanto a segurança das pessoas”, afirmou.
Na mesma linha, o gerente de Recursos Pesqueiros e Fauna do Imasul, Vander Melquíades, também ressaltou o alinhamento do trabalho com a missão institucional do Imasul. “Nosso papel é promover a conservação da fauna de forma integrada à realidade social. O guia é uma ferramenta educativa que fortalece a consciência ambiental e a preservação dos nossos ecossistemas”, pontuou.
O material estará disponível online para acesso gratuito no site da Secretaria de Estado de Saúde (www.saude.ms.gov.br) e do IMASUL (www.imasul.ms.gov.br). A publicação também deve subsidiar campanhas de conscientização e ações educativas desenvolvidas ao longo de 2025.
Com esse lançamento, Mato Grosso do Sul se consolida como referência nacional e pioneiro na construção de políticas públicas voltadas à convivência responsável com a fauna silvestre, alinhadas à abordagem de Saúde Única e com a proteção da biodiversidade. Mato Grosso do Sul é o primeiro Estado brasileiro a ter um setor consolidado dentro da Secretaria Estadual de Saúde que trabalha essa integração entre a saúde humana, animal e ambiental.
Helton Davis, Comunicação SES
Fotos: Divulgação Coordenadoria de Saúde Única/SES
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