Em mais uma de suas declarações polêmicas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira (24) que “defender a identidade de gênero da deputada Erika Hilton (PSOL-SP) e de outras pessoas transexuais é defender a soberania brasileira”. A fala, dada durante um evento com ativistas e representantes de movimentos sociais, levanta sérias preocupações quanto à confusão entre questões identitárias e os reais interesses da nação.
A tentativa de atrelar ideologia de gênero à soberania nacional revela um governo mais preocupado em agradar sua base militante do que em enfrentar os verdadeiros desafios do país — como o desemprego, a insegurança e o sucateamento da educação e da saúde. Soberania, afinal, é a capacidade de um país de se autogovernar, proteger seu território, sua economia e seus valores fundamentais. Confundir isso com pautas identitárias é, no mínimo, uma distorção do conceito.
Ao elevar debates sobre identidade de gênero ao patamar de “defesa da pátria”, o presidente escancara a prioridade de sua gestão: a ideologização do Estado. Enquanto isso, milhões de brasileiros seguem enfrentando filas no SUS, violência nas ruas e impostos cada vez mais altos para sustentar um inchaço estatal que não devolve o mínimo em serviços públicos de qualidade.
Ninguém está dizendo que pessoas trans não merecem respeito — é evidente que todos os cidadãos brasileiros devem ser tratados com dignidade. Mas é preciso separar isso de um projeto político que tenta impor à força uma agenda ideológica, inclusive nas escolas e nas instituições públicas, sem qualquer debate mais amplo com a sociedade.
A fala de Lula também serve para desviar o foco dos escândalos e da má gestão. Ao jogar luz sobre temas polêmicos, mas de menor relevância prática para a vida do brasileiro médio, o governo parece querer polarizar o debate público — e, com isso, esconder a falta de resultados concretos em áreas realmente estratégicas.
Soberania se constrói com independência energética, fortalecimento das Forças Armadas, educação de qualidade e geração de empregos. Não com discursos ideológicos que agradam a bolhas, mas não constroem um país mais forte.
A declaração de Lula ocorre na contramão do que defende um de seus principais parceiros diplomáticos. Em nota oficial, a embaixada dos Estados Unidos no Brasil esclareceu que os registros de visto são confidenciais, mas reafirmou que, para fins legais, o governo norte-americano só reconhece os sexos masculino e feminino — “considerados imutáveis desde o nascimento”.
A posição dos EUA contrasta com a retórica adotada pelo presidente brasileiro, que tenta vincular identidade de gênero à soberania nacional. Para muitos analistas, trata-se de mais um exemplo de como o atual governo tem buscado impor uma agenda ideológica que nem mesmo países desenvolvidos — e governados por lideranças progressistas — adotam plenamente em termos legais e diplomáticos.
Soberania se constrói com independência energética, fortalecimento das Forças Armadas, educação de qualidade e geração de empregos. Não com discursos ideológicos que agradam a bolhas, mas não constroem um país mais forte.
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