A 11ª edição do festival global de documentários cidadãos exibiu, no Museu da Imagem e do Som (MIS-SP), no último sábado, dia 30, os curtas-metragens premiados e o Grand Prix global do ano. A cerimônia destacou-se pela atmosfera colaborativa e pela forte presença do público jovem, evidenciando o papel do audiovisual na mobilização para o desenvolvimento sustentável.
Os destaques da noite evidenciaram a força de novas lideranças e as urgências das metrópoles, com foco na centralidade da questão hídrica nas discussões urbanas — tema alinhado aos ODS 6 (Água Potável e Saneamento) e ODS 11 (Cidades e Comunidades Sustentáveis) da Organização das Nações Unidas (ONU). O evento também celebrou o protagonismo feminino, com a maioria das obras assinadas por mulheres, e a força da nova geração acadêmica, já que metade dos vencedores é composta por estudantes de instituições como Mackenzie e ESPM.
A atriz e apresentadora Rachel Ripani foi a mestre de cerimônias da noite, que consolidou o conceito de "audiovisual solução". Diferente de edições anteriores, o festival propôs uma conexão direta com o ativismo prático, apoiando o lançamento de uma campanha de combate à violência de gênero com a ONG Turma do Bem (exibindo o filme Vivi) e promovendo o pré-lançamento exclusivo do livro "Direito à Cidade", do urbanista Carlos Moreno, criador do conceito da "Cidade de 15 Minutos" e embaixador do festival.
Os curtas-metragens vencedores
Melhor Curta Estudante: "Raízes Perdidas" – Dir.: Nathália Massola (São Paulo - SP). Acompanha o projeto 'Novas Árvores Por Aí' na recuperação da Mata Atlântica e no adensamento verde na malha urbana.
Destino Sustentável: "Projeto Pazipe" – Dir.: Eduardo Paziam e equipe (São Paulo - SP). Retrata a criação de um jardim urbano no centro de São Paulo e o impacto do engajamento individual na mitigação climática.
Proximidade Feliz: "Pontas" – Dir.: Márcio Coutinho (Rio de Janeiro - RJ). Mostra o potencial transformador do balé em comunidades periféricas e como a proximidade de projetos sociais gera inclusão.
Melhor Curta de Impacto: "Mangue é Vida" – Prod.: ONG Bloom Ocean (Vitória - ES). Aborda a preservação dos manguezais, propondo o reaproveitamento de cascas de mariscos como fertilizante agrícola.
Crise Climática: "Onde eu nasci passa um rio" – Dir.: Sofia Byington (São Paulo - SP). Apresenta o projeto ‘Rios e Ruas’, resgatando a memória das águas escondidas sob o asfalto paulistano.
Melhor Curta São Paulo São: "Rios Invisíveis" – Dir.: Tadeu Jungle (São Paulo - SP). Defende uma proposta urgente de saúde ambiental urbana: o destamponamento de rios cobertos.
Menção Honrosa: "Águas da Memória" – Dir.: Laura Leite (São Paulo - SP). Documenta a atuação do projeto ‘Meninos da Billings’ com mutirões de limpeza e educação ambiental para jovens.
Grand Prix Global: "From the Margins Where Change Begins" – Dir.: Samuel Okechukwu (Lagos - Nigéria). Explora a exclusão de jovens nos processos de decisão em Lagos, servindo como apelo por governanças mais inclusivas.
Sobre o Festival e Impacto Institucional
Criado na França pela ONG Métropole du Grand Paris, o MegaCities ShortDocs é realizado no Brasil pela plataforma São Paulo São. O concurso convoca moradores de grandes cidades a criarem documentários de até 4 minutos com soluções replicáveis de impacto positivo.
"O festival ganhou escala nesta edição pela parceria com o MDIC e o projeto ENIMPACTO. Tivemos inscrições vindas de Natal, Fortaleza, Salvador, Curitiba e Vitória. O audiovisual prova ser uma ferramenta indispensável para engajar e inspirar respostas para o triplo desafio das metrópoles: econômico, social e ambiental", destaca Maurício Machado, idealizador da vinda do festival ao país.
Márcia Nejaim, diretora do escritório da ApexBrasil em São Paulo, reforça a importância estratégica: "Apoiar o MegaCities ShortDocs é uma forma de incentivar o audiovisual, que é um dos setores mais dinâmicos da economia e em que o país é um ator relevante com capacidade exportadora crescente".
Como parceira estratégica, a TV Cultura realizará uma exibição especial dos curtas vencedores em sua programação. A 11ª edição do festival no Brasil foi um oferecimento da ApexBrasil, com aliança estratégica da Embratur e TV Cultura, além de parcerias com o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). Contou ainda com o apoio da Heineken, Mamba Water e tênis Veja.
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