A audiência pública realizada nesta terça-feira (27) na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (ALEMS) promovida pela Comissão Permanente de Educação, Cultura e Desporto, expôs um cenário de precarização enfrentado pela Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul. O debate reuniu docentes, técnicos administrativos, aposentados, estudantes, indígenas e parlamentares em defesa da valorização da universidade pública, recomposição salarial e fortalecimento das carreiras. A vice-presidente da Associação dos Docentes da UEMS (ADUEMS), Erika Porceli Alaniz, denunciou a falta de infraestrutura adequada nas unidades universitárias, incluindo carência de laboratórios, equipamentos, materiais de consumo, espaços físicos e salas para professores.
Muitos docentes estariam utilizando computadores pessoais devido à ausência de equipamentos institucionais e enfrentam dificuldades para desenvolver atividades de pesquisa por falta de financiamento. Ela denunciou o avanço da precarização das condições de trabalho enfrentadas pelos docentes da universidade. Os professores relatam carência de infraestrutura básica para o desenvolvimento das atividades acadêmicas, incluindo laboratórios, equipamentos, materiais de consumo, espaços físicos adequados, salas individuais para docentes e ambientes para expansão dos cursos.
O processo de precarização estaria ocorrendo em duas dimensões principais: a intensificação da carga de trabalho e a sobrecarga provocada pela falta de servidores técnicos. Os docentes acabam acumulando tarefas burocráticas e administrativas, reduzindo o tempo destinado ao ensino, à pesquisa e à extensão universitária. A situação teria tornado insustentável a rotina de trabalho dos professores, muitos dos quais ultrapassam as 40 horas semanais regulamentares sem o devido reconhecimento formal. A consequência é o aumento do adoecimento da categoria e da demanda por apoio psicossocial.
“A universidade funcionando nessas condições compromete sua função social de promover o desenvolvimento científico e tecnológico, formular propostas para o desenvolvimento nacional e formar profissionais qualificados, inclusive filhos da classe trabalhadora”, afirmou. Ela defendeu a valorização dos profissionais da universidade pública como condição fundamental para garantir a qualidade do ensino superior oferecido à população. O presidente da ADUEMS, Marcelo Bertace, coba a recomposição dos salários dos s docentes e criticou a cobrança previdenciária de 14% sobre os aposentados. Segundo ele, a situação enfrentada pelos servidores aposentados é “inaceitável”.Pelos cálculos do sindicalista, desde 2015 ,os docentes acumularam 44% de perdas salariais.
Ja os representantes dos técnicos administrativos também relataram dificuldades estruturais e salariais. A presidente do Sindicato dos Profissionais Técnicos da Educação Superior, Ana Maria da Trindade, relembrou que o Plano de Cargos e Carreiras foi instituído pela Lei nº 2.230, de 2001, mas afirmou que a estrutura original sofreu limitações ao longo dos anos, exigindo reformulações.Ela destacou ainda que a UEMS não possui autonomia financeira, situação apontada como um dos principais entraves para a valorização dos servidores e para a expansão da universidade. A audiência foi prestigiada pelo presidente do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior(ANDES), Claudio Anselmo de Souza Mendonça.
A deputada estadual Gleice Jane (PT), vice-presidente da Comissão de Educação, destacou sua ligação histórica com a universidade, onde iniciou sua trajetória política no movimento estudantil. Segundo ela, o enfraquecimento da UEMS afeta diretamente o desenvolvimento de Mato Grosso do Sul. A parlamentar criticou os cortes salariais, a perda da autonomia financeira da universidade e a ausência de investimentos em ciência e tecnologia. Para Gleice Jane, fortalecer a universidade significa fortalecer o próprio Estado. Ela planeja ampliar o diálogo com professores, estudantes, técnicos e sindicatos para encaminhar as reivindicações ao governo estadual e expor a situação em plenário.
O deputado estadual Pedro Kemp (PT) também condenou o avanço da terceirização e das contratações temporárias no serviço público estadual. Segundo ele, a ausência de concursos públicos tem provocado precarização das carreiras e descontinuidade das políticas públicas.Kemp revelou que cerca de 70% dos professores da rede estadual atuam de forma temporária e relacionou os problemas enfrentados pelos servidores à reforma da previdência aprovada durante a pandemia. O parlamentar criticou ainda a cobrança da contribuição de 14% sobre os salários dos aposentados.
Críticas à renúncia fiscal do agronegócio
Durante o debate, também foram feitas críticas à política de renúncia fiscal do Estado em benefício do agronegócio. Parlamentares e representantes sindicais apontaram que os incentivos fiscais concedidos ao setor cresceram significativamente nos últimos anos, enquanto áreas sociais enfrentam restrições orçamentárias. Segundo os dados apresentados na audiência, a renúncia fiscal ao agronegócio foi de R$ 6 bilhões em 2022. Para 2026, a previsão chega a R$ 11,950 bilhões. Já para 2027, o montante projetado alcança R$ 27 bilhões, enquanto em 2028 a estimativa é de R$ 13 bilhões. Em contraste, setores sociais do orçamento estadual concentram cerca de R$ 8 bilhões.Os participantes da audiência defenderam que parte dos recursos renunciados poderia ser revertida para investimentos em educação, ciência, tecnologia, assistência estudantil e valorização do funcionalismo público.
Polo das Moreninhas
O acadêmico de História da unidade da UEMS instalada nas Moreninhas, Lindenberg Vidotto, denunciou a precarização enfrentada pelos estudantes. Segundo ele, a unidade universitária funciona há quatro anos dentro do prédio de uma escola estadual, sem sede própria. Vidotto relatou que os problemas afetam diretamente as condições de permanência e aprendizagem dos acadêmicos. Segundo ele, faltam recursos para custear atividades de extensão, que acabam dependendo de arrecadações entre professores e estudantes. “Vamos fazer uma vaquinha para custear uma viagem até Alcinópolis, onde os estudantes vão conhecer o sítio arqueológico existente no município”, relatou. Como exemplo das dificuldades enfrentadas, o estudante afirmou que um curso realizou apenas uma viagem de extensão em quatro anos. Em outro caso, professores precisaram organizar uma arrecadação para custear o ônibus que levará estudantes para visitas a sítios arqueológicos.
PM - MS Polícia Militar de MS e MT realizam ações integradas durante a “Operação Divisas” em Sonora
PM - MS Polícia Militar captura foragido da justiça após ele fugir de blitz de trânsito em Corumbá
PM - MS Polícia Militar prende traficantes e usuário em Corumbá
PM - MS Polícia Militar prende dois homens por furto qualificado em feira livre de Corumbá e recupera itens subtraídos
Legislativo - MS Deputado Jamilson Name solicita doação de veículo para ações da ABAFA em Brasilândia
Legislativo - MS Matéria institui documento que identifica quem cuida de pessoas atípicas em MS Mín. 18° Máx. 29°
Mín. 19° Máx. 30°
Tempo limpoMín. 20° Máx. 28°
Tempo nublado
Alípio Neto G1 destaca Eduardo Riedel como exemplo de gestor institucional, técnico e eficiente entre governadores que disputam espaço nas redes
Vereador Papy Papy promove almoço especial de Dia das Mães com sorteios e atrações musicais em Campo Grande
Vereador Herculano Borges Vereador Herculano Borges homenageia movimento Dia do Corre com moção de congratulação em Campo Grande
Deputado Federal Rodolfo Nogueira ”Não vão me calar”, diz Rodolfo Nogueira após fala de Zeca do PT