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Pix projeta Brasil como líder em inovação financeira

Na 44ª Reunião da Pagos, especialistas destacaram o impacto global do Pix, o avanço do QR Code multitrilho e os desafios regulatórios para consolid...

16/04/2026 14h56
Por: Redação Fonte: Agência Dino
Créditos: Pagos
Créditos: Pagos

A 44ª Reunião da PAGOS – Associação do Ecossistema de Pagamentos e Infraestrutura Financeira Digital —, realizada em 25 de março, em São Paulo, reforçou o protagonismo do Brasil no cenário global de inovação financeira. O encontro reuniu especialistas do setor para discutir o impacto do Pix, os avanços em interoperabilidade e os desafios regulatórios associados à consolidação do país como exportador de infraestrutura financeira digital.

Participaram do debate Eduardo Pires, Gilberto Martins (Giba) e Carlos Netto (TK), executivos com ampla atuação no mercado de meios de pagamento, que trouxeram perspectivas complementares sobre evolução tecnológica, regulação e integração internacional.

Segundo matéria do g1, o Pix, lançado pelo Banco Central do Brasil em 2020, consolidou-se como uma das principais infraestruturas de pagamento instantâneo do mundo. Com ampla adoção pela população e forte crescimento em volume de transações, o sistema tornou-se referência internacional em eficiência, inclusão financeira e escalabilidade.

As pesquisas destacadas pela matéria demonstram que esse avanço posiciona o Brasil não apenas como usuário de inovação, mas como potencial exportador de soluções em tecnologia financeira, influenciando modelos internacionais de interoperabilidade e pagamentos digitais.

Interoperabilidade e o avanço do QR Code multitrilho

Um dos destaques do encontro foi a discussão sobre o conceito de QR Code multitrilho, apresentado por Carlos Netto (TK). A tecnologia, que está sendo testada e implementada no mercado dos Estados Unidos, visa estabelecer um padrão de QR Code para a região, integrando diferentes infraestruturas de pagamento — como sistemas locais, redes internacionais, blockchains, stablecoins e até o Pix — em um único ambiente operacional.

Segundo o executivo, essa abordagem representa uma evolução relevante para a arquitetura dos pagamentos digitais em solo norte-americano, ao permitir transações mais fluidas que independem de uma rede ou moeda específica. O objetivo é que este se torne o QR Code padrão do mercado estadunidense, facilitando a interoperabilidade que o país busca alcançar.

"O QR Code universal que está sendo viabilizado lá fora é disruptivo porque permite pagamentos instantâneos globais sem depender de uma rede única. É a tecnologia brasileira servindo de base para modernizar mercados consolidados como o dos EUA", afirmou TK.

O executivo ressalta que, embora o modelo de sucesso do Pix no Brasil sirva de inspiração técnica, a aplicação prática deste QR Code multitrilho foca agora em resolver a fragmentação do sistema financeiro dos Estados Unidos. A iniciativa reforça uma tendência global: a busca por soluções interoperáveis em fase de testes que reduzam fricções, amplie a competição e viabilizem pagamentos instantâneos em escala internacional.

Regulação como vetor de equilíbrio entre inovação e segurança

A agenda regulatória foi apontada como elemento central para a sustentação desse avanço. Gilberto Martins, o Giba, executivo com passagens por Itaú, Santander, Mastercard e Ebanx, destacou que o Brasil construiu um ambiente regulatório robusto, que contribuiu diretamente para o sucesso do Pix, mas ressaltou a importância de preservar o equilíbrio para não restringir a inovação.

Ele comenta que, nesse contexto, ganham relevância temas como:

  • Interoperabilidade entre jurisdições;
  • Pagamentos cross-border;
  • Integração com novos arranjos e ativos digitais;
  • Harmonização regulatória internacional.

"O Brasil tem uma regulação robusta, mas precisamos garantir que ela não se torne excessivamente rígida, para não sufocar a inovação", disse. O executivo também pontuou a recepção positiva de executivos estrangeiros ao Pix, citando visitas de representantes de empresas asiáticas, europeias e norte-americanas atendidas pelo consultor.

Giba referencia o assunto, afirmando que o mercado financeiro internacional olha para o Brasil com respeito. "Executivos estrangeiros ficam impressionados com a escala e a eficiência do Pix, algo que poucos países conseguiram implementar".

"A regulação é fundamental, mas precisa ser inteligente. Se for excessivamente rígida, sufoca a inovação. O desafio é encontrar o equilíbrio que permita competição saudável e avanço tecnológico", avalia o executivo.

O desafio, segundo os participantes da 44ª Reunião da Pagos, está em garantir um ambiente que promova competição saudável, segurança e inovação contínua, sem criar barreiras desnecessárias ao desenvolvimento do setor.

Brasil como liderança regional e plataforma de expansão global

O executivo Eduardo Pires destacou o papel estratégico do Brasil na liderança regional em iniciativas como Open Finance e na cooperação com outros países da América Latina. Segundo ele, o momento atual representa uma inflexão relevante: "O Brasil passa a ser reconhecido não apenas como mercado consumidor, mas como referência na construção de infraestrutura financeira digital", afirma o executivo.

Pires complementa, dizendo que essa mudança amplia as oportunidades de internacionalização de soluções brasileiras e fortalece o posicionamento do país como hub de inovação no setor.

"Estamos diante de uma mudança de paradigma. O Brasil, que sempre foi visto como exportador de commodities, agora começa a ser reconhecido como exportador de tecnologia bancária", explica Pires, comentando sobre o papel do Brasil em consolidar a liderança regional e transformar o Pix em um passaporte para o Brasil no mercado financeiro global.

Dados recentes do mercado

  • Matéria da Glin destaca que o Pix lidera em número de transações no Brasil em 2026, com 6,59 bilhões de operações apenas em fevereiro;
  • Segundo o Relatório de Cidadania Financeira 2025, do Banco Central, 96,4% da população adulta brasileira já possui conta bancária ou de pagamento;
  • Na matéria da Culturize-se, a afirmação é de que o Pix tem sido reconhecido internacionalmente como referência em bancarização e eficiência operacional, atraindo atenção em eventos globais como a Money 2020.

Pagos e a articulação do ecossistema regulatório

A 44ª Reunião da Pagos reforçou o papel da Associação como articuladora do ecossistema de pagamentos e interlocutora qualificada junto a reguladores, instituições e demais stakeholders.

Pedrina Braga, vice-presidente de Assuntos Regulatórios e Compliance e diretora-executiva de Produtos e Serviços da Associação Pagos, complementa dizendo que "por meio do Comitê Regulatório e Grupos de Trabalho, a associação tem atuado na construção de agendas que conectam:

  • Inovação tecnológica;
  • Desenvolvimento de mercado;
  • Evolução regulatória;
  • Alinhamento institucional.

Esse modelo de atuação contribui para reduzir assimetrias, ampliar a segurança jurídica e fortalecer o ambiente competitivo no setor", pondera a executiva.

Perspectivas: da inovação doméstica à influência global

De acordo com o Banco Central, a interoperabilidade no Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB) é vista como um pilar estratégico para posicionar o Brasil em uma trajetória consistente de liderança internacional. Ela garante maior segurança, resiliência e integração entre infraestruturas financeiras digitais, permitindo que o país exporte modelos de eficiência e inovação.

Segundo os executivos que participaram da 44ª Reunião da Pagos, o avanço do Pix e das soluções associadas à interoperabilidade posiciona o Brasil em uma trajetória consistente de liderança internacional. Entretanto, ressaltaram que a consolidação desse protagonismo dependerá da capacidade de evolução coordenada entre:

  • Inovação tecnológica;
  • Regulação eficiente;
  • Integração internacional.

Pedrina Braga finaliza, dizendo que "nesse cenário, o Pix se estabelece como um dos principais vetores dessa transformação — não apenas como infraestrutura doméstica, mas como benchmark global em pagamentos digitais".

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