O vereador Franklin Schmalz (PT) fez um alerta sobre a situação da saúde pública em Dourados diante do avanço dos casos de chikungunya e denunciou a falta de profissionais essenciais para o enfrentamento da doença no município. O cenário preocupante, com crescimento expressivo de casos e registro de mortes na região, especialmente na Reserva Indígena.
Franklin tem acompanhado e cobrado que o poder público municipal, estadual e federal atuem para levar atendimento até as comunidades indígenas e que se evitem mais óbitos. Com quatro mortes já registradas, a epidemia de chikungunya já dá sinais de chegada aos bairros da cidade.
Segundo o vereador, Dourados deveria estar preparada para enfrentar o risco da chikungunya. Um dos principais entraves para isso é o déficit de profissionais da vigilância em saúde. Atualmente, faltam cerca de 70 Agentes Comunitários de Saúde (ACS) e mais de 40 Agentes de Combate às Endemias (ACE). Mesmo com concurso público realizado em 2024, nenhum dos aprovados foi convocado até agora.
“Esses profissionais são fundamentais para a prevenção. São eles que vão de casa em casa, orientam a população, identificam focos do mosquito e ajudam a evitar que situações como essa se agravem. O que estamos vendo hoje é reflexo da falta de investimento na base”, afirma.
Dados do Ministério da Saúde reforçam a preocupação. A cobertura de agentes comunitários em Dourados está em cerca de 58%, índice abaixo do recomendado para garantir a efetividade das ações de atenção primária. Para Franklin, o momento exige ação imediata. Ele destaca que a legislação federal permite a contratação desses profissionais com recursos da União, sem impacto nos limites de gasto com pessoal, o que afasta justificativas para a não convocação.
A situação já mobiliza os próprios profissionais aprovados no concurso. Na última semana, um grupo realizou manifestação em frente ao Ministério Público Estadual, cobrando a convocação e denunciando a sobrecarga nas equipes que atualmente atuam no município.
“O que estamos vivendo hoje é um alerta. Se não houver reforço na prevenção, essa situação pode se agravar ainda mais. A Prefeitura precisa agir agora, convocar os profissionais e fortalecer a atenção básica antes que o problema se espalhe pela cidade”, reforça Franklin.
O vereador também apresentou denúncia formal solicitando apuração da conduta da gestão municipal e a adoção de medidas urgentes para recomposição do quadro de agentes, além do fortalecimento das ações de combate à chikungunya.
Para ele, o cenário atual evidencia uma fragilidade estrutural na saúde pública de Dourados. “Saúde não pode ser tratada de forma reativa. Quando a gente não investe na prevenção, a consequência vem e vem mais forte”, conclui.
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