Entre os dias 18 e 21 de março, a cidade do Rio de Janeiro recebe uma delegação de especialistas em saúde pública e educação médica do México para uma missão institucional voltada ao fortalecimento da cooperação científica e da formação de médicos na América Latina. A visita tem como eixo central a construção de uma parceria estratégica com o Instituto Superior de Ciências da Saúde Carlos Chagas (ICC), especializado na pós-graduação e residência de médicos, além de uma agenda de intercâmbio com a rede pública municipal para conhecer de perto o funcionamento do Sistema Único de Saúde (SUS).
A missão inclui reuniões com autoridades da saúde do município e visitas técnicas a unidades de referência da rede carioca. Um dos encontros será com o secretário municipal de Saúde, Daniel Soranz, responsável pela gestão do sistema público de saúde da cidade. Durante a visita, a delegação conhecerá iniciativas de inovação e organização da rede assistencial do Rio.
A delegação mexicana é composta por especialistas ligados a instituições estratégicas oficiais do sistema de saúde do país, como Patricia Clark, do Conselho de Salubridad General; Marcela Astrid Malpica y Martínez, responsável pela área de ensino, pesquisa e qualidade do Instituto de Salud del Estado de México (ISEM); Alfredo Israel Díaz Martínez, chefe de pesquisa do ISEM; Julio Gómez Fernández, do Conselho Mexicano para Acreditação da Educação Médica (COMAEM); e Rocío Elisa Carrera Cerón, do IMSS-Bienestar (sistema público de saúde do governo mexicano voltado à população sem seguro social).
No Brasil, a programação é coordenada pelo professor Dr. Ricardo Cavalcanti, presidente do ICC
Durante a agenda, especialistas brasileiros e mexicanos irão discutir temas estratégicos para os sistemas de saúde dos dois países, como formação de especialistas médicos, inovação tecnológica, governança digital, acreditação acadêmica e cooperação científica internacional. O objetivo é estabelecer um marco de colaboração permanente que permita ampliar intercâmbios acadêmicos, programas de residência médica e projetos de pesquisa entre as instituições.
"Temos um problema grave e crônico no Brasil de formação de especialistas médicos: existe um grande GAP entre médicos que se formam e os poucos que conseguem se especializar. Dados oficiais de 2024 indicam que apenas 8% dos médicos que se formam conseguem se especializar. Na realidade, o Brasil precisa repensar urgente seu modelo de formação médica, sob o risco de desestruturar o funcionamento do sistema de saúde", alerta o professor.
Outro ponto central da missão será o intercâmbio de experiências sobre modelos de sistemas universais de saúde, com destaque para o SUS brasileiro e as estratégias mexicanas de fortalecimento da atenção primária. As discussões também incluirão soluções para desafios comuns da região, como envelhecimento populacional, qualificação de profissionais e redução de filas por atendimento especializado.
Segundo Ricardo Cavalcanti, a visita marca um passo importante para aprofundar a integração científica e sanitária entre Brasil e México, fortalecendo a cooperação regional em saúde e contribuindo para a formação de profissionais capazes de responder aos desafios dos sistemas públicos de saúde na América Latina. "Já temos 40 médicos mexicanos inscritos na pós-graduação e residência médica do ICC em várias especialidades, contando com uma equipe de catedráticos altamente avalizada e residência médica em hospitais públicos e privados, garantindo a formação prática do profissional", destaca. No passado, o governo do México mantinha intercâmbio para formação de especialistas em Cuba. Os convênios para formação de especialistas do México serão realizados no Brasil pelo Instituto Carlos Chagas", explica Cavalcanti.
Ao final do encontro, representantes do México e do Brasil apresentarão uma declaração conjunta, consolidando os principais acordos da missão, incluindo a criação de um grupo técnico bilateral e a definição de uma agenda permanente de cooperação científica, educacional e institucional com o Instituto Superior de Ciências da Saúde Carlos Chagas, reforçando o intercâmbio entre os dois países e ampliando a colaboração regional em saúde na América Latina.
Instituto Superior de Ciências da Saúde Carlos Chagas (ICC) tem origem na Escola de Pós-Graduação Médica Carlos Chagas, fundada em 12 de agosto de 1959 por um grupo de docentes da tradicional Faculdade de Medicina da então Universidade do Brasil. Criada com o objetivo de estruturar e promover a formação de pós-graduação médica no país, a instituição consolidou-se ao longo das décadas como um centro dedicado à educação médica, à pesquisa científica e à cooperação acadêmica nacional e internacional, contribuindo para a formação de especialistas e o fortalecimento dos sistemas de saúde no Brasil e na América Latina.
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