O turismo vive um dos seus melhores momentos no Brasil. Em 2025, o país registrou o maior volume de visitantes estrangeiros já contabilizado para os primeiros dez meses do ano. Entre janeiro e outubro, mais de 7,68 milhões de turistas internacionais desembarcaram em destinos brasileiros, um crescimento superior a 40% em relação ao mesmo período de 2024.
Esse movimento aquece a economia e reforça a atratividade de destinos consagrados, como Rio de Janeiro (RJ), Foz do Iguaçu (PR), Salvador (BA), Florianópolis (SC), São Paulo (SP) e os Lençóis Maranhenses (MA). Mas o mapa turístico brasileiro vem se expandindo. Em Goiás, por exemplo, no fim de 2025, novas cidades passaram a ser reconhecidas oficialmente como destinos turísticos após atenderem aos critérios do Ministério do Turismo.
Municípios como Turvelândia e Mossâmedes agora integram o Mapa do Turismo Goiano, ampliando para 99 o número de cidades do estado com reconhecimento nacional. Turvelândia, situada em uma região de forte vocação agroecológica, se destaca pela realização de eventos e festas ao longo do ano. Já Mossâmedes chama atenção pelo ecoturismo e pelo patrimônio histórico-cultural, com áreas naturais preservadas, formações vegetais típicas, referências artísticas ligadas à Serra Dourada e construções históricas do século 18.
O crescimento observado mostra que o turismo no Brasil vai além dos destinos mais conhecidos e abre espaço para viagens mais acessíveis, distribuindo melhor o fluxo de visitantes. Diante desse cenário, cresce também o interesse dos brasileiros em explorar o próprio país. E, para o economista Ricardo de Almeida, diretor financeiro do Cartão de TODOS, viajar dentro do Brasil pode ser uma escolha mais segura e previsível do ponto de vista financeiro.
Segundo Almeida, viajar dentro do país oferece vantagens importantes quando o assunto é controle de gastos. "Viagens nacionais eliminam custos como câmbio, IOF elevado, taxas internacionais e variação cambial. Além disso, o transporte interno costuma ser mais acessível, a alimentação segue o padrão de preço local e não há gastos extras com seguro internacional ou documentação", destaca.
Dessa forma, o viajante tem mais previsibilidade de custos e menos surpresas financeiras e burocracia, e essa previsibilidade se torna ainda mais relevante em um momento de destinos cheios e preços pressionados pela alta demanda turística.
Planejar antes é a principal regra para evitar excessos
Mesmo em viagens nacionais, a falta de organização pode comprometer o orçamento e, para Almeida, o planejamento deve ser a primeira de todas as etapas. "O principal cuidado é planejar tudo antes de sair de casa. É muito importante definir quanto pode gastar, reservar transporte e hospedagem com antecedência e evitar decisões por impulso durante a viagem", orienta.
Ele também alerta para um erro comum entre viajantes: não separar as finanças da viagem das despesas do dia a dia. "Misturar as duas coisas costuma gerar descontrole e arrependimento depois. Por isso, planeje sua viagem dentro da sua realidade financeira, esse equilíbrio faz toda a diferença", completa.
A construção de um orçamento viável é outro ponto-chave para quem deseja viajar com tranquilidade. De acordo com o economista, o primeiro passo é entender o quanto realmente pode ser investido na experiência. "Comece pelo valor total disponível, quanto você tem de disponibilidade para investir nessa viagem?", explica. A partir disso, o ideal é organizar os gastos por categorias e considerar possíveis imprevistos.
"Em seguida, divida o orçamento em blocos: transporte, hospedagem, alimentação e lazer. Reserve sempre uma margem de segurança para imprevistos e utilize aplicativos ou planilhas para controlar o que já foi gasto, e cuidado com o cartão de crédito", recomenda. Almeida reforça que a comparação com padrões irreais pode gerar frustração. "Um orçamento realista é aquele que considera o estilo da viagem, não o idealizado nas redes sociais. Viajar bem é viajar dentro da sua realidade", afirma.
Cinco estratégias para viajar com economia, conforto e segurança
Para quem deseja aproveitar o bom momento do turismo sem comprometer o orçamento, o economista elenca ações fundamentais:
1) Planejar com antecedência e definir um limite de gastos: ter clareza sobre quanto pode ser gasto evita excessos e decisões impulsivas, especialmente em destinos concorridos.
2) Preferir viagens nacionais fora da alta temporada: períodos alternativos costumam ter preços mais baixos e oferecem experiências mais tranquilas.
3) Reservar transporte e hospedagem antes e evitar decisões por impulso: a antecedência amplia as opções e reduz o risco de pagar mais caro por falta de escolha.
4) Usar aplicativos de comparação, cashback, milhas e benefícios de pagamento: essas ferramentas ajudam a equilibrar o orçamento mesmo em destinos disputados.
5) Manter controle diário dos gastos durante a viagem: acompanhar as despesas permite ajustes ao longo do percurso e evita surpresas no retorno.
O aquecimento do turismo no Brasil representa uma oportunidade tanto para o setor quanto para os próprios brasileiros conhecerem melhor o país. Com planejamento, organização e escolhas conscientes, é possível viajar com conforto, segurança e equilíbrio financeiro. Como resume o economista, viajar bem não significa gastar mais, mas gastar melhor, e voltar para casa sem dívidas torna a experiência ainda mais completa.
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