Revelando um passivo de R$ 9,3 bilhões de dívida total atrelada à folha de servidores estaduais de Mato Grosso do Sul, o deputado Junior Mochi (MDB) usou a tribuna, nesta quinta-feira (5), para pedir a criação de um fórum de servidores que trate de discutir o superendividamento do funcionalismo público do Estado.
O dado, recebido por ele da Secretaria Estadual de Administração em reposta a ofício, detalha que esse montante compromete a folha de 42 mil servidores que mantêm consignados. “Pensem que temos um somatório de 15 folhas de pagamento em dívidas. Trata-se de um passivo financeiro de enorme impacto social. Muitos me dizem que a situação é complicada. Olha a situação que estamos vivendo”, disse com preocupação.
De acordo com o Estatuto dos Servidores Estaduais, conforme explicou Mochi, o regime estabelece margem cumulativa de até 40% de comprometimento da remuneração em empréstimos e financiamentos. “Tive novamente uma conversa com o governador [Eduardo Riedel], mostrando a necessidade urgente de buscarmos alternativas, com estudo das instituições financeiras que estão emprestando, mas, acima de tudo, saber qual é a real taxa do empréstimo, para fazer uma mesa de discussão, seja para fazer portabilidade, achar outro lugar com juros menores, porque, afinal, se tem 100% de adimplência com o desconto direto em folha”, explicou.
Chuvas torrenciais
As intensas chuvas em Mato Grosso do Sul causaram alagamentos em diversas regiões. Uma delas, no Norte do estado, motivou o deputado estadual Junior Mochi a usar a tribuna também sobre outro tema: pedir apoio do Governo do Estado para ações de mitigação dos prejuízos à população.
Segundo o parlamentar, a situação mais crítica é na cidade de Coxim. “Muitos córregos e cursos d’água afluem para o Rio Taquari, que corta a cidade. Ele nasce no planalto, há 800 metros de altura e quando chega em Coxim, que está em 220 metros, todo o sedimento que vem sendo depositado no leito do rio para ali. E com isso, todo o ano, raro o ano, que não tenhamos enchente, porque o rio está assoreado”, explicou.
Detalhando a geografia local, Mochi, que já foi prefeito de Coxim, disse que a cidade foi construída em área arenosa e, com os afluentes desaguando pelo rio principal, os transtornos com o volume pluviométrico de mais de 200mm em 96 horas sequenciais foram vários os problemas.
“A situação é de emergência, com ruas intransitáveis, até um muro inteiro de um colégio tradicional caiu. Muitos estabelecimentos foram invadidos pelas águas. Queremos a parceria do Governo para reconhecer o estado de calamidade e precisamos dar encaminhamentos, na parceira dos três entes para a recuperação daquilo que foi danificado. A chuva é muito boa, necessária, entretanto, num curto espaço de tempo aconteceu isso”, comparou.
No início da sessão outro deputado também pediu apoio do Poder Executivo para minimizar os efeitos dos temporais. Renato Câmara (MDB) enviou ofícios para ajuda ao Município de Corguinho, que está com problemas em vias na região da ponte sob o Rio Taboco.
“Estamos acompanhando de perto a situação, está ilhando a população do outro lado do rio. Precisamos de ações de todas as ordens, como ajuda habitacional, alimentar, tenho conversado com o prefeito, temos feito essa aproximação para que o Estado possa minimizar essa situação”, ressaltou o deputado Renato Câmara, que também pediu pelo Distrito de Morraria do Sul, no Município de Bodoquena, devido às intensidades das chuvas.
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