A cada ano, relatórios sobre economia e trabalho como o do Fórum Econômica Mundial (World Economic Forum) apontam para mudanças cada vez mais rápidas e acentuadas no cenário global, com o crescimento em oportunidades. Ao mesmo tempo, os dados sempre vêm acompanhados do alerta de uma lacuna de habilidades ou a falta de capacidade de adaptação dos profissionais. Mesmo assim, ainda se fala pouco sobre como a transformação da educação, passando, necessariamente, pela revisão das práticas tradicionais que ainda moldam grande parte das escolas brasileiras, é fundamental para evitar que essa realidade se torne uma ameaça cada vez mais grave ao futuro.
De fato, embora conteúdos, disciplinas e processos de alfabetização sigam essenciais, a professora Marilza Suanno, que é Doutorada em Educação, defende que um projeto pedagógico contemporâneo precisa ir além. "É necessário formar crianças capazes de pensar de maneira complexa, estabelecer conexões entre diferentes áreas do conhecimento e construir argumentos próprios", pontua.
Integrante da Rede Internacional de Escolas Criativas (RIEC) - fundada em 2012 em Barcelona -, a especialista destaca que o modelo escolar atual ainda se ancora em uma lógica dos anos 1950, que prioriza repetição e competição. Em recente visita à Escola Casa Verde, instituição educacional de Aparecida de Goiânia que desenvolveu o método batizado de "pedagogia de quintal", aliando o conteúdo escolar obrigatório a experiências ao ar livre e contato com a natureza, a professora lembrou que, para muitos pais, o medo de que as crianças não estejam "prontas" para provas e disputas escolares cria resistência a métodos mais criativos.
No entanto, ela ressalta que a formação de leitores, pesquisadores e jovens com autoria é justamente o que sustenta o desempenho acadêmico no longo prazo. "Só produz um bom texto quem tem argumentos, repertório e relação autoral com a linguagem", reforça. Coincidência ou não, 2024 registrou o mínimo histórico de notas máximas na redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), com apenas 12 participantes alcançando os 1000 pontos equivalentes que demonstram domínio da norma culta, compreensão do tema, capacidade de argumentação, repertório sociocultural produtivo e a capacidade de oferecer uma proposta de intervenção detalhada e respeitosa.
Urgência de inovar o ensino
Nesse cenário, metodologias inovadoras, pautadas em projetos, investigação e diálogo entre culturas, servem para ampliar a capacidade de expressão e de resolução de conflitos. Cabe ressaltar que essas habilidades são determinantes para reduzir comportamentos agressivos e fortalecer a convivência social e figuram entre as principais deficiências apontadas por recrutadores no mercado profissional. "Ao aprender a organizar ideias, defender pontos de vista e escutar divergências, as crianças desenvolvem recursos que ultrapassam qualquer treinamento para avaliações tradicionais", destaca a professora.
Mais do que isso, nesse contexto, o papel do professor ganha destaque. Citando a educadora Selma Garrido Pimenta, Marilza Suanno frisa que o docente é um profissional intelectual, crítico e reflexivo, apto a produzir práticas e pesquisar sua própria atuação. Por isso, ela pontua que a inovação na escola não nasce de materiais prontos, mas do trabalho coletivo entre professores e uma instituição comprometidos com uma educação integral.
Desafio de transformar o ato educativo
Para Elaine Sleiman, diretora da Escola Casa Verde, defender o espaço da escola como ambiente de criação, investigação e humanização é hoje cada vez mais desafiador e, ao mesmo tempo, fundamental. "Inovar não é romper com o conhecimento, mas religá-lo à cultura, ao território, às artes e aos interesses das crianças, que é exatamente o que prepara estudantes para o mundo real, para o Enem, para o trabalho, e, sobretudo, para a vida", finaliza.
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