Em uma manhã de céu limpo e tributo silencioso, a recepção à princesa Kako de Akishino, da família imperial do Japão, transformou Campo Grande em palco de um reencontro simbólico. Não apenas entre autoridades, mas entre gerações de descendentes japoneses que ajudaram a moldar a identidade social, cultural e econômica do Mato Grosso do Sul.
A cerimônia marcou as comemorações pelos 130 anos do Tratado de Amizade entre Brasil e Japão. Mas o que se viu na sede campo da Associação Nipo-Brasileira foi mais do que diplomacia: foi pertencimento. Emoção contida em gestos delicados, homenagem aos antepassados, reencontro com a memória coletiva de um povo que faz da ancestralidade um gesto cotidiano.

O deputado estadual Renato Câmara, que esteve presente e foi cumprimentado pela princesa durante os protocolos oficiais, fez questão de destacar a conexão íntima de sua família com a cultura japonesa. Casado com Cristiane Iguma Câmara, descendente de japoneses, o parlamentar falou com orgulho sobre o legado que seus filhos carregam.
“Meus filhos fazem parte da cultura nikkei não apenas pelo sangue, mas pelas pequenas lições de respeito, disciplina e gratidão que aprendem desde cedo. Eventos como este reavivam as tradições e incentivam as novas gerações a manterem viva essa herança cultural. Ao mesmo tempo, abrem portas para intercâmbios culturais e educacionais entre Japão e Brasil, fortalecendo os vínculos institucionais e humanos que nos conectam há mais de um século”, afirmou Câmara.
Durante seu discurso, a princesa Kako recordou um capítulo importante da história sul-mato-grossense: a chegada dos trilhos da Estrada de Ferro Noroeste em 1914, construída com a contribuição direta de trabalhadores japoneses. “Soube que os trilhos que chegaram ao Mato Grosso do Sul foram construídos com mão de obra japonesa. Isso impulsionou o desenvolvimento da região e atraiu ainda mais imigrantes”, disse.
Em um gesto de reverência, a princesa depositou uma coroa de flores no monumento Ireihi, símbolo da memória dos imigrantes pioneiros. “Refletindo sobre o árduo caminho percorrido pelos nossos antepassados, quero expressar o meu profundo respeito aos imigrantes e seus descendentes, que, apesar de todas as dificuldades, continuaram a se esforçar no dia a dia”, declarou.
Como destacou Sua Alteza, o Brasil abriga hoje a maior comunidade nikkei do mundo, com cerca de 2,7 milhões de pessoas. Muitas delas vivem em Mato Grosso do Sul, que concentra a terceira maior população de descendentes japoneses no país. Esse movimento, no entanto, ocorreu em dois sentidos: aproximadamente 210 mil brasileiros descendentes também migraram para o Japão, onde atuam atualmente em diversos setores da sociedade.

Para o médico Dr. Nélio Kurimori, representante da Associação Cultural e Esportiva Nipo-Brasileira de Dourados, a presença da princesa fortalece o espírito de continuidade: “Mantém a chama acesa. A presença da princesa é uma dádiva para toda a colônia. É inspirador para um futuro cada vez melhor”.
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