A iniciativa de Vander Loubet e de sua coligação de recorrer à Justiça Eleitoral para retirar publicações do portal Política Voz coloca a liberdade de imprensa no centro do debate eleitoral. O candidato ao Senado obteve uma decisão provisória que determina a remoção dos conteúdos nos endereços indicados no processo em até 24 horas após a intimação.
As publicações tratam de uma reunião abordada pelo veículo em sua cobertura política. O Política Voz sustenta que possui provas e testemunhas sobre os fatos relatados e informa que apresentará esse material à Justiça Eleitoral para defender a reportagem.
O portal anunciou que cumprirá a determinação. Ao mesmo tempo, manifestou preocupação com os efeitos da retirada de conteúdos jornalísticos durante a campanha, período em que o eleitor precisa de informações para avaliar quem pretende representá-lo.
Candidato deve aceitar o escrutínio público
A postura de Vander merece cobrança. Quem disputa uma cadeira no Senado deve estar preparado para responder a perguntas, enfrentar reportagens incômodas e prestar esclarecimentos sobre sua atuação política.
Recorrer à Justiça é um direito. Isso, porém, não impede o questionamento público sobre uma iniciativa que resulta na retirada de informações do alcance dos eleitores. Contestar uma reportagem exige discutir seu conteúdo; uma decisão provisória não pode ser apresentada como conclusão definitiva de que o veículo mentiu.
A solidariedade ao Política Voz se firma na defesa de seu direito de apurar, publicar e apresentar os elementos que sustentam sua cobertura. Essa defesa é compatível com a responsabilidade jornalística e com o direito de resposta de quem se considera atingido.
Discussão permanece aberta
A determinação obtida por Vander tem caráter provisório. As provas e o conteúdo das publicações ainda serão discutidos no processo.
O Política Voz afirma que levará sua documentação e suas testemunhas à Justiça Eleitoral. Até que essa discussão avance, não cabe transformar a retirada das publicações em condenação antecipada do trabalho jornalístico.
A imprensa deve responder por eventuais erros, mas candidatos também precisam responder ao escrutínio público. A disputa eleitoral não pode tornar o jornalismo menos livre justamente quando sua fiscalização é mais necessária.