Política Eleições 2026
Vander defende mulheres na política, mas impasse com Soraya expõe contradição na própria aliança
Petista anunciou senadora como suplente de sua chapa; no dia seguinte, ela reafirmou intenção de disputar a reeleição
22/09/2026 17h37
Por: Redação

O discurso de valorização das mulheres na política adotado pelo deputado federal Vander Loubet (PT), candidato ao Senado por Mato Grosso do Sul, enfrenta um teste dentro da própria articulação eleitoral. A relação com a senadora Soraya Thronicke expõe um descompasso entre a defesa pública do protagonismo feminino e a condução das negociações por espaço na chapa.

Em fevereiro, Vander e Soraya anunciaram uma parceria para a disputa pelo Senado. Em julho, porém, o petista anunciou que a senadora deixaria a corrida para ocupar a primeira suplência de sua candidatura. No dia seguinte, Soraya voltou a confirmar sua pré-candidatura à reeleição.

A sequência evidenciou que o anúncio de Vander não correspondia à posição que a senadora apresentou publicamente. Enquanto o deputado a colocava na suplência, ela reafirmava a intenção de disputar uma das duas vagas de Mato Grosso do Sul no Senado.

Protagonismo no discurso, suplência na negociação

Em agosto, Vander divulgou manifestações em defesa da ampliação da presença feminina nos espaços de decisão e de medidas de combate à violência política contra a mulher.

Essas bandeiras tornam pertinente a cobrança de coerência na condução de suas próprias alianças. Defender mais mulheres na política também significa reconhecer que elas podem manter projetos eleitorais próprios, inclusive quando esses projetos concorrem com os interesses de aliados.

A divergência com Soraya, por si só, não caracteriza violência política de gênero. Negociações sobre candidaturas e suplências fazem parte da disputa eleitoral. O ponto de questionamento está no contraste entre a valorização pública do protagonismo feminino e o anúncio de uma mudança de posição que a própria interessada contrariou no dia seguinte.

Coerência em disputa

O episódio não exige adesão às posições políticas de Soraya para ser examinado. A questão é a conduta de um parlamentar que apresenta a participação feminina como bandeira, mas enfrenta um impasse justamente sobre o lugar de uma mulher na composição eleitoral que ajudou a construir.

Com duas vagas ao Senado em disputa, a parceria anunciada no início do ano passou a conviver com interesses concorrentes. Nesse cenário, cabe a Vander explicar como concilia a defesa de mais mulheres nos espaços de poder com a tentativa de acomodar na suplência uma senadora que reafirmou seu próprio projeto de candidatura.

A cobrança é sobre coerência: o compromisso com a participação feminina precisa aparecer também nas negociações em que estão em jogo os interesses eleitorais de quem o defende.