A candidata a deputada federal Cassy Monteiro (PL) publicou nas redes sociais um vídeo que chama atenção pelo conteúdo adotado em plena campanha eleitoral. Na gravação, a candidata relativiza a responsabilidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelos problemas enfrentados pelo país.
No vídeo, Cassy aparece diante de uma lista que destaca a existência de um presidente, 27 governadores, 81 senadores, 513 deputados federais, 1.050 deputados estaduais, 5.570 prefeitos e 59.591 vereadores. Em seguida, surge a frase: “E ainda querem que você acredite que o presidente é o único problema do Brasil”.
Embora a publicação não cite nominalmente Lula nem declare apoio formal ao petista, a mensagem produz um efeito político evidente: divide a cobrança com governadores, parlamentares, prefeitos e vereadores e, consequentemente, retira parte do peso colocado sobre o atual presidente da República.
Na prática, o conteúdo funciona como uma defesa indireta de Lula. Em vez de concentrar a crítica no chefe do Poder Executivo federal, responsável por comandar ministérios, indicar integrantes do governo, conduzir a política econômica e definir as prioridades nacionais, Cassy apresenta o presidente como apenas uma peça dentro de um sistema muito maior.
A situação ganha outro componente ao serem observados os materiais de campanha utilizados por Cassy Monteiro. Nas peças encaminhadas ao Correio Pantanal, não aparecem o nome, o número ou a imagem de Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência da República.
Também não existe qualquer referência a Reinaldo Azambuja, presidente estadual do PL em Mato Grosso do Sul e candidato da legenda ao Senado. A liderança de Reinaldo no partido e sua candidatura foram confirmadas durante a convenção estadual, enquanto Flávio recebeu oficialmente a apresentação da aliança construída pelo PL no Estado.
Em uma das peças analisadas, Cassy aparece ao lado do candidato Davierson Matos, com os respectivos números 2267 e 22333. Em outro adesivo instalado em um veículo, a propaganda destaca exclusivamente o nome e o número de Cassy, novamente sem qualquer identificação de Flávio Bolsonaro ou Reinaldo Azambuja.
Apesar de o nome do PL constar nas informações legais da propaganda, os dois principais representantes da chapa partidária — um na disputa pela Presidência e outro no comando estadual da legenda e na corrida pelo Senado — são deixados de fora.
Não existe obrigação de que candidatos proporcionais coloquem em todas as peças os nomes dos integrantes da chapa majoritária. Politicamente, porém, a ausência ganha relevância quando parte de uma candidata que utiliza a estrutura e a identidade partidária do PL para disputar uma vaga na Câmara dos Deputados.
A postura contrasta com a imagem política construída por Cassy. Em seu perfil oficial no Instagram, ela se apresenta como cristã, conservadora e destaca ser a candidata apoiada por Nikolas Ferreira em Mato Grosso do Sul.
No entanto, enquanto explora eleitoralmente essa proximidade com uma das principais figuras da direita nacional, Cassy não apresenta, nas peças analisadas, o candidato presidencial do próprio partido nem o presidente do PL-MS.
Somada à publicação que relativiza a responsabilidade de Lula, a ausência de Flávio Bolsonaro e Reinaldo Azambuja aumenta as dúvidas sobre qual alinhamento político a candidata pretende efetivamente defender caso seja eleita.
A pergunta que fica para o eleitor de direita é direta: Cassy pretende integrar o projeto nacional e estadual do PL ou está utilizando apenas a legenda e o apoio de Nikolas para construir uma candidatura independente dos principais nomes do partido?
A estratégia utilizada na publicação sobre Lula é conhecida: amplia-se o número de responsáveis para reduzir o peso político colocado sobre quem ocupa a Presidência da República. Ao distribuir a culpa entre milhares de agentes públicos, o vídeo oferece ao petista um argumento conveniente — o de que os problemas nacionais não podem ser atribuídos diretamente ao seu governo.
É evidente que governadores, deputados, senadores, prefeitos e vereadores também devem responder pelos próprios atos. No entanto, colocar todos no mesmo nível ignora a enorme diferença de poder, orçamento e responsabilidade existente entre a Presidência da República e os demais cargos públicos.
Para uma candidata que busca votos entre conservadores e eleitores contrários ao PT, a sequência de escolhas exige esclarecimentos: Cassy relativiza as críticas a Lula, não apresenta Flávio Bolsonaro e deixa de divulgar até mesmo Reinaldo Azambuja, presidente do partido pelo qual disputa a eleição.
A PERGUNTA QUE FICA PARA OS ELEITORES DE DIREITA É:
Seria Cassy Monteiro, uma nova Soraya Thronick?
O Correio Pantanal mantém o espaço aberto para que Cassy Monteiro esclareça o objetivo da publicação e explique por que Flávio Bolsonaro e Reinaldo Azambuja não aparecem nos materiais de campanha analisados pela reportagem.