Política Eleições 2026
Trajetória de Roberto Oshiro coloca coerência política no centro da disputa pelo Senado
Candidato que hoje busca espaço no eleitorado liberal e de direita já integrou a Rede Sustentabilidade e terá pela frente o desafio de explicar ao eleitor o que mudou em sua trajetória política
17/08/2026 15h07
Por: Redação

Em política, mudar de partido não é novidade. Mudanças de alianças, posicionamentos e projetos fazem parte da trajetória de inúmeros candidatos. Mas, quando a mudança envolve legendas identificadas com campos políticos distintos, o histórico inevitavelmente passa a fazer parte do debate eleitoral.

É exatamente esse o ponto que acompanha Roberto Oshiro, candidato ao Senado pelo Partido Novo em Mato Grosso do Sul.

Hoje, Oshiro apresenta uma plataforma fortemente vinculada à liberdade econômica, redução da máquina pública, segurança jurídica, combate à corrupção, fortalecimento do agronegócio e maior rigor na segurança pública.

O discurso encontra sintonia com parte expressiva do eleitorado de direita e com as bandeiras defendidas atualmente pelo Novo.

Mas a trajetória política do candidato registra uma passagem que pode provocar questionamentos durante a campanha.

Em 2016, Roberto Oshiro estava na Rede Sustentabilidade.

Naquele ano, seu nome chegou a ser lançado pela legenda para disputar a Prefeitura de Campo Grande. Posteriormente, após uma composição envolvendo a Rede e o PV, Oshiro passou a integrar como candidato a vice a chapa de Marcelo Bluma, embora tenha desistido antes do registro definitivo da candidatura.

Dez anos depois, o cenário é bastante diferente.

Da Rede ao discurso liberal

A Rede Sustentabilidade construiu sua identidade política nacional principalmente em torno de pautas ambientais e sociais, mantendo historicamente interlocução com setores progressistas.

Já o Novo se consolidou defendendo uma agenda liberal na economia, redução da presença estatal, responsabilidade fiscal e diminuição de impostos.

É justamente essa diferença que coloca uma pergunta no centro da trajetória eleitoral de Oshiro:

o que mudou entre o político que estava na Rede em 2016 e o candidato que busca representar o Novo em 2026?

O questionamento não significa que um político esteja impedido de mudar de opinião ou de partido. Pelo contrário. Dez anos representam tempo suficiente para alguém rever conceitos, abandonar posições e adotar novas convicções.

Mas, para quem pretende ocupar uma cadeira no Senado, explicar essa transformação passa a ser uma questão política relevante.

Oshiro diz que está “voltando” ao Novo

O próprio candidato já apresentou sua versão sobre essa trajetória.

Em entrevista concedida neste ano, Oshiro afirmou ter participado do Novo desde a fundação e classificou sua atual presença na legenda como uma espécie de retorno ao partido.

A explicação, porém, não elimina completamente o questionamento sobre sua passagem pela Rede.

Se Oshiro já compartilhava das ideias liberais defendidas pelo Novo, por que optou por construir uma candidatura pela Rede em 2016?

Se suas convicções mudaram posteriormente, quais posições foram revistas?

São perguntas que podem ganhar espaço durante a campanha eleitoral.

Agora, a aposta está no eleitorado de direita

A candidatura ao Senado também representa uma tentativa de aproximação mais clara com setores empresariais, produtores rurais e eleitores identificados com a direita.

O próprio Oshiro já afirmou que sua candidatura surgiu de conversas com integrantes do setor produtivo, empresários e lideranças da direita.

Não existe contradição automática em buscar esse eleitorado.

O ponto político está na necessidade de conciliar essa imagem atual com o histórico partidário do candidato.

Porque uma candidatura não começa no momento em que o material de campanha chega às ruas.

O histórico também acompanha o candidato.

Experiência profissional não apaga trajetória política

Oshiro possui uma trajetória profissional consolidada. É advogado tributarista, empresário e mantém relação com o setor produtivo.

Também acumulou experiência eleitoral recente.

Em 2024, integrou como candidato a vice-prefeito a chapa de Rose Modesto na disputa pela Prefeitura de Campo Grande, chegando ao segundo turno da eleição.

Agora, em 2026, busca um dos cargos mais importantes da representação política de Mato Grosso do Sul: uma cadeira no Senado Federal.

Por isso, sua trajetória partidária tende a receber uma análise ainda mais rigorosa.

Não se trata de condenar uma mudança política.

Trata-se de explicá-la.

O eleitor terá que decidir

Roberto Oshiro pode argumentar que amadureceu politicamente. Pode dizer que suas convicções liberais sempre existiram. Pode ainda sustentar que sua passagem pela Rede ocorreu dentro das circunstâncias políticas daquele período.

Todas essas explicações fazem parte do debate democrático.

Mas o histórico permanece.

Em 2016, Oshiro participou de uma construção eleitoral pela Rede Sustentabilidade. Em 2026, apresenta-se ao eleitor pelo Novo com um discurso direcionado à liberdade econômica e buscando espaço principalmente entre eleitores de direita.

A mudança de legenda é legítima.

A mudança de opinião também.

O que o eleitor de Mato Grosso do Sul poderá cobrar durante a campanha é uma explicação clara sobre o caminho percorrido entre uma coisa e outra.

No fim, a questão que acompanha Roberto Oshiro nesta eleição é simples:

mudaram apenas os partidos ou também mudaram as convicções?