Política FIASCO
Ato apoiado por Catan vira fiasco e grupo consegue apenas 2% da meta contra a Cassems
ABECAMS esperava reunir 15 mil assinaturas, mas terminou mobilização menos de 300 adesões; resultado expõe dificuldade do grupo apoiado pelo deputado João Henrique Catan em transformar ataques à Cassems em apoio popular
10/08/2026 15h15 Atualizada há 1 hora atrás
Por: Redação
Foto Divulgação Criada por IA

O que deveria ser uma demonstração de força contra a atual gestão da Cassems terminou como uma dura demonstração da baixa capacidade de mobilização do grupo que conta com o apoio político do deputado estadual e candidato ao Governo de Mato Grosso do Sul pelo Novo, João Henrique Catan.

A ABECAMS (Associação dos Beneficiários da Cassems) promoveu no último sábado um ato na Praça do Rádio Clube, em Campo Grande, com uma missão ambiciosa: reunir servidores e colher milhares de assinaturas contra a atual administração da Caixa de Assistência dos Servidores do Estado de Mato Grosso do Sul.

O resultado ficou muito distante do discurso.

Segundo os números divulgados após a mobilização, a associação pretendia alcançar 15 mil assinaturas, mas conseguiu aproximadamente 300 adesões durante a manhã.

Na prática, apenas 2% da meta estabelecida.

A diferença entre aquilo que foi projetado e o que efetivamente aconteceu transformou o ato, que pretendia funcionar como demonstração de insatisfação dos servidores, em um constrangimento político para seus organizadores.

Barulho nas redes, pouca gente na praça

A baixa adesão também coloca sob questionamento o tamanho real do movimento contrário à atual gestão da Cassems.

Se a intenção era mostrar que existe uma grande revolta entre os beneficiários, os números apresentados pelo próprio movimento produziram efeito contrário: para cada 100 assinaturas pretendidas, apenas duas foram obtidas.

O episódio revela ainda uma diferença considerável entre fazer oposição nas redes sociais e conseguir levar essa insatisfação para as ruas.

A convocação teve divulgação, discurso crítico e uma meta ousada. Na hora de transformar tudo isso em participação efetiva, porém, o resultado foi praticamente simbólico diante das 15 mil adesões pretendidas.

Fiasco respinga diretamente em Catan

Politicamente, o resultado é especialmente incômodo para João Henrique Catan.

O deputado tem sido apontado como um dos principais apoiadores políticos da ABECAMS e das críticas direcionadas à Cassems. Agora, em plena caminhada eleitoral rumo ao Governo do Estado, vê um movimento associado à sua estratégia política enfrentar dificuldades até mesmo para mobilizar algumas centenas de pessoas na Capital.

Para quem pretende disputar o comando de Mato Grosso do Sul, o episódio está longe de ser irrelevante.

Catan tenta construir uma imagem de enfrentamento e oposição, mas o ato mostrou que transformar discurso em mobilização popular pode ser uma tarefa muito mais difícil.

E os números são particularmente cruéis nesse aspecto.

Meta: 15 mil. Resultado: cerca de 300.

Não se trata de uma diferença pequena ou de uma meta perdida por pouco. O grupo terminou aproximadamente 14,7 mil assinaturas abaixo do objetivo anunciado.

Estratégia contra Cassems não empolga servidores

O fracasso da mobilização também lança dúvidas sobre uma das frentes utilizadas pelo grupo político ligado a Catan: transformar os questionamentos envolvendo a Cassems em combustível político.

Até aqui, pelo menos considerando o resultado do ato realizado em Campo Grande, a estratégia não demonstrou capacidade significativa de mobilização.

A ABECAMS queria apresentar musculatura. Acabou expondo fragilidade.

Queria milhares de assinaturas. Conseguiu algumas centenas.

Queria mostrar insatisfação generalizada. Terminou oferecendo aos adversários justamente o argumento contrário: o de que existe muito mais barulho político do que disposição dos servidores para embarcar no movimento.

De pré-candidato ao Governo a padrinho de movimento esvaziado

Para Catan, o episódio ganha dimensão ainda maior porque ocorre enquanto o deputado tenta ampliar seu nome para além de sua base eleitoral e se apresentar como alternativa na disputa pelo Governo de Mato Grosso do Sul.

Uma candidatura ao Executivo estadual exige capacidade de articulação, capilaridade e, sobretudo, mobilização.

O ato da ABECAMS entregou justamente uma fotografia pouco favorável nesse quesito.

O deputado pode continuar elevando o tom contra a Cassems e apoiando movimentos de oposição à entidade. Mas, depois do resultado registrado na Praça do Rádio, existe uma pergunta que inevitavelmente passa a acompanhar essa estratégia:

onde estão os milhares de servidores que supostamente estariam dispostos a comprar essa briga?

No sábado, pelo menos, eles não apareceram.

E para um grupo que esperava 15 mil assinaturas e saiu com aproximadamente 300, chamar o resultado apenas de “baixa adesão” talvez seja generosidade.

Foi um fiasco de mobilização.