O procurador-geral de Justiça de Mato Grosso do Sul, Romão Ávila Milhan Júnior, afirmou que deputados estaduais e prefeitos mencionados em conversas extraídas de um celular apreendido durante a Operação Gutenberg não são alvo de investigações conduzidas pelo Ministério Público Estadual (MPMS).
A declaração foi feita durante entrevista ao podcast Política de Primeira, na qual o chefe do MPMS explicou que a simples referência ao nome de autoridades em mensagens analisadas pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) não representa, por si só, evidência de participação em qualquer irregularidade.
Segundo Romão Ávila, o material apreendido foi submetido à análise do Ministério Público justamente para verificar se haveria elementos que justificassem a apuração envolvendo autoridades com foro por prerrogativa de função. Após a avaliação, contudo, não foram encontrados indícios mínimos que sustentassem a abertura de um procedimento investigativo.
O procurador-geral destacou que a cautela é indispensável em situações como essa e reforçou que a mera citação de nomes em conversas não pode ser interpretada automaticamente como envolvimento em práticas ilícitas.
De acordo com ele, a investigação permanece concentrada nos suspeitos inicialmente apontados pela Operação Gutenberg, envolvendo um servidor público e particulares. Assim, não existe, neste momento, investigação formal contra deputados estaduais ou prefeitos mencionados nas mensagens analisadas pelo Gaeco.
Operação
Deflagrada em julho de 2026, a Operação Gutenberg apura a atuação de uma organização criminosa suspeita de movimentar cerca de R$ 27 milhões em fraudes na compra de livros paradidáticos e em desvios de recursos da saúde pública.
Conforme as investigações, o grupo utilizava a Central Estadual de Regulação para condicionar a liberação de leitos, exames e cirurgias do Sistema Único de Saúde (SUS) à contratação de materiais da Editora Avante por municípios sul-mato-grossenses.