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Dia Estadual de Consciência alerta sobre Doenças Crônicas Não Transmissíveis
Os dados mais recentes extraídos em 2026 pelo Ministério da Saúde e por estudos epidemiológicos da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) conf...
26/06/2026 09h30
Por: Redação Fonte: Assembleia Legislativa - MS

Os dados mais recentes extraídos em 2026 pelo Ministério da Saúde e por estudos epidemiológicos da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) confirmam que o Brasil enfrenta um avanço contínuo nos fatores de risco e prevalência de Doenças Crônicas Não Transmissíveis – conhecidas como DCNTs, impulsionado principalmente pelo crescimento da obesidade e do diabetes. Devido a essa preocupação crescente, foi instituída em Mato Grosso do Sul a Lei Estadual 6.154/2023 que define 28 de junho como o Dia Estadual da Consciência sobre as DCNTs. A proposição do projeto de lei é da deputada Gleice Jane (PT).

De acordo com o relatório de Avanço dos Fatores de Risco e Prevalência – Vigitel – divulgado no início de 2026, houve crescimento preocupante nos índices de obesidade – 26,9% da população adulta; diabetes – 19,4% e hipertensão arterial  - 45,3% dos adultos. Para a deputada Gleice Jane, a criação do Dia Estadual da Consciência sobre as DCNTs nasceu da necessidade de dar visibilidade a um problema que impacta milhares de pessoas é que já é responsável por 72% da mortalidade no Brasil. “Durante discussões sobre alimentação saudável, identificamos a forte relação entre o consumo de alimentos ultraprocessados, os hábitos de vida e o aumento de doenças como hipertensão, câncer, diabetes e obesidade. A lei busca ampliar a conscientização, fortalecer a prevenção e estimular políticas públicas que promovam saúde e qualidade de vida, especialmente para as mulheres, que apresentam índices mais elevados dessas doenças”, acrescenta a parlamentar. Ainda conforme Gleice Jane, falar sobre as DCNTs é também falar sobre o direito à informação, à alimentação adequada e ao cuidado com a saúde.

"É uma data para fazermos uma reflexão sobre as doenças que podem ser prevenidas e tratadas com mudanças de hábito. Temos uma preocupação muito grande com a saúde a partir da perspectiva do que está nos adoecendo. Por isso a lei ajuda a trazer esse olhar da sociedade para prevenção e tratamento", acrescenta a parlamentar. As DCNTs são condições de longa duração e progressão lenta, principais causas de morte no mundo. Elas não são contagiosas e compartilham quatro fatores de risco principais: tabagismo, sedentarismo, alimentação não saudável e consumo nocivo de álcool. As quatro principais categorias que concentram as maiores taxas de mortalidade são:

•          Doenças Cardiovasculares: Incluem infartos, Acidente Vascular Cerebral (AVC) e hipertensão arterial.

•          Câncer (Neoplasias): Tumores malignos de diferentes origens.

•          Doenças Respiratórias Crônicas: Como a Asma e a Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC).

•          Diabetes Mellitus: Distúrbios metabólicos caracterizados por taxas elevadas de açúcar no sangue.

Câncer

O Instituto Nacional de Câncer (INCA) divulgou em fevereiro de 2026 que o Brasil deve registrar cerca de 781 mil novos casos de câncer por ano no triênio de 2026 a 2028. Isso representa um aumento de quase 11% em comparação com os três anos anteriores. Em Mato Grosso do Sul, os dados indicam que os homens são mais diagnosticados com câncer de próstata, seguido de cólon/reto e traqueia/brônquios e pulmão. Já as mulheres são acometidas pelo câncer de mama, seguido por cólon/reto e colon do útero.  Dados do Painel de Monitoramento do Ministério da Saúde (atualizados com prévias de 2025/2026) apontam que, apesar de uma tendência histórica de queda pós-pandemia, o impacto das DCNTs continua desigual. A probabilidade de morte prematura (entre 30 e 69 anos) segue mais alta entre homens e em estados das regiões Norte e Nordeste devido ao menor acesso a tratamentos complexos.

Diabetes

Endocrinologista Renata Bussuan (Foto: Arquivo Pessoal)

No Dia Nacional de Combate ao Diabetes, lembrado dia 26 de junho, especialistas alertam que a pré-diabetes já exige tratamento e pode evoluir para diabetes tipo 2 sem acompanhamento adequado. Trata-se de uma condição caracterizada por níveis de glicose acima do normal, mas ainda abaixo dos critérios para o diagnóstico de diabetes tipo 2 e vem sendo identificada cada vez mais cedo. Antes associada principalmente ao envelhecimento, hoje ela já afeta adultos jovens, adolescentes e até crianças com obesidade, reforçando a importância do diagnóstico precoce e da adoção de hábitos de vida mais saudáveis.

Segundo a endocrinologista Renata Bussuan, coordenadora nacional do curso de pós-graduação em Endocrinologia da Afya Educação Médica, a pré-diabetes não deve ser encarada como uma simples alteração nos exames laboratoriais. “Precisamos entender que a pré-diabetes não é uma pré-doença. Trata-se de uma condição que já exige acompanhamento e tratamento, seja por meio de mudanças no estilo de vida, orientação alimentar ou, em alguns casos, uso de medicamentos”, explica.

Entre os principais fatores de risco para o desenvolvimento da pré-diabetes, segundo a médica, estão o excesso de peso, especialmente o acúmulo de gordura abdominal, o sedentarismo, o histórico familiar de diabetes tipo 2, a hipertensão arterial, alterações nos níveis de colesterol e triglicerídeos, a síndrome dos ovários policísticos, o diabetes gestacional prévio, a apneia do sono e as doenças cardiovasculares. Por isso, ressalta a especialista, as Doenças Crônicas Não Transmissíveis não surgem de repente. “Elas se constroem silenciosamente ao longo dos anos, muitas vezes com sintomas não diagnosticados, até que suas consequências se manifestem de forma devastadora para indivíduos, famílias e para toda a sociedade”, destaca Renata.

Para a médica, o Dia Estadual da Consciência sobre as DCNTs, é um passo  importante para transformar números em pessoas, estatísticas em histórias de vida e preocupação em ação.”Em um cenário em que a obesidade, o diabetes e a hipertensão crescem de forma alarmante e já respondem pela maior parte das mortes no Brasil, esta data nos convida à reflexão, mas, sobretudo, ao compromisso com a prevenção, educação em saúde, diagnóstico precoce e construção de políticas públicas capazes de garantir mais qualidade de vida para as gerações presentes e futuras”, argumenta.

A população de Campo Grande pode contar com orientação especializada por meio dos atendimentos gratuitos oferecidos pela Afya Educação Médica. Os agendamentos são realizados por formulário online, e dúvidas podem ser esclarecidas pelo WhatsApp: (67) 9885-9556.

Desigualdade Social

Endocrinologista Lilian Martelo (Foto: Arquivo Pessoal)

Outro dado preocupante: os dados da Vigitel de 2025/2026 evidenciam que as DCNTs são fortemente influenciadas por determinantes sociais. Adultos com mais de 12 anos de estudo registram taxas significativamente menores: apenas 19% de hipertensão, 5,5% de diabetes e 22,7% de obesidade. A endocrinologista Lilian Bianca Miller Martelo de Marco atende no Hospital Regional de Mato Grosso do Sul (HR/MS), em Campo Grande, e atesta essa realidade. Segundo ela, um trabalho de prevenção com equipe multidisciplinar é essencial para evitar novas mortes. “Antes da pandemia nós trabalhávamos no HR com nutricionista, psicólogo, educador físico, médico e enfermeiro. Mas depois essa equipe foi reduzida para apenas um médico e um educador físico. Só que o médico sozinho não consegue, em consultas com 15 pacientes, realizar todas as abordagens necessárias, como orientar alimentação e tratar o psicológico”, ressalta a médica.

Lilian destaca que uma forma de mudar essa realidade seria capacitar mais profissionais nessas áreas para atuar no SUS e reduzir o índice de mortalidade entre a população mais carente que está sendo acometida pelas DCNTs. Os dados mais recentes extraídos do sistema Vigitel, do Painel de Monitoramento do Ministério da Saúde e do INCA traçam o panorama epidemiológico das DCNTs em Campo Grande. Os indicadores apontam para um alerta severo quanto ao excesso de peso: 62,8% dos adultos estão acima do peso ideal.

A capital se consolidou com uma das maiores prevalências do país nesse quesito.  A taxa de moradores com Índice de Massa Corpórea (IMC) igual ou maior que 30 kg/m² atingiu 25,7% da população adulta. Outro fator que agrava o risco de hipertensão e diabetes é a privação de descanso. Cerca de 22% dos adultos de Campo Grande dormem menos de 6 horas por noite, o que desregula o metabolismo e eleva o estresse cardiovascular.  Mais um alerta da endocrinologista diz respeito à obesidade em crianças. “Elas também sofrem porque não tem capacidade de escolha e vão sempre pelo mais saboroso que é oferecido pelos pais. Já estou tratando crianças de 6 anos com pré-diabetes, com 16 já têm a doença e com 26 anos chegam a renal crônico. É alarmante”, afirma Lilian Martelo.

Lei Estadual na prática

Os principais objetivos do Dia Estadual da Consciência sobre DSTs incluem:

  • Conscientização: Informar a população sobre o que são as Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNTs), como diabetes, hipertensão, câncer e doenças respiratórias crônicas.
  • Prevenção: Divulgar fatores de risco (como tabagismo, sedentarismo, alimentação inadequada e consumo excessivo de álcool) e incentivar hábitos saudáveis.
  • Controle e Tratamento: Debater formas de detecção precoce e acesso a tratamentos adequados pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
  • A prevenção e o controle dessas doenças envolvem diretamente a mudança de estilo de vida e o acompanhamento médico regular.
  • Alimentação: Redução drástica do consumo de sódio, açúcares e alimentos ultraprocessados.
  • Exercícios: Prática regular de atividade física para evitar o excesso de peso e a obesidade.
  • Hábitos: Cessação do tabagismo e moderação ou eliminação do consumo de álcool.