A decisão do presidente da Associação dos Beneficiários da Cassems (ABECAMS), Jeder Fabiano da Silva Bruno, de deixar temporariamente o comando da entidade para integrar a pré-campanha do deputado estadual João Henrique Catan ao Governo de Mato Grosso do Sul transformou em fato político aquilo que, durante anos, foi alvo de questionamentos entre servidores estaduais.
Em vídeo divulgado nas redes sociais, Jeder confirmou que recebeu convite de Catan e que passará a integrar o projeto político liderado pelo parlamentar.
“Recebemos convite do João Henrique Catan para que nós possamos ombrear”, declarou.
A manifestação pública provocou reações entre associados da entidade, que passaram a questionar se a atuação da ABECAMS esteve, de fato, limitada à defesa dos beneficiários da Cassems ou se também serviu como plataforma de fortalecimento político de um grupo alinhado ao deputado estadual.
A aproximação entre Catan e Jeder não é recente.
Nos últimos anos, ambos protagonizaram diversas ações conjuntas contra a direção da Cassems. Em pelo menos duas ofensivas judiciais envolvendo operações imobiliárias da Caixa de Assistência dos Servidores, o deputado e o presidente da ABECAMS atuaram lado a lado. Em uma delas, Catan figurou inclusive como advogado da própria associação. As ações acabaram extintas pela Justiça, que não reconheceu os fundamentos apresentados pelos autores.
A oficialização da entrada de Jeder no projeto eleitoral de Catan reforçou críticas de grupos internos que há anos apontavam uma atuação politicamente alinhada entre a associação e o parlamentar.
Outro ponto que gerou repercussão foi a informação de que Jeder pretende retornar à presidência da entidade após o período eleitoral.
Para beneficiários ouvidos por veículos de imprensa, a possibilidade levanta dúvidas sobre os limites entre a atuação institucional de uma associação representativa e a participação direta de seu dirigente em uma campanha eleitoral.
Entre os questionamentos levantados está a eventual existência de vínculo remunerado com a pré-campanha e qual função será efetivamente exercida por Jeder dentro do projeto político. Até o momento, não foram apresentados detalhes públicos sobre eventual contratação, remuneração ou relação formal de trabalho.
A entrada na campanha também trouxe novamente à tona episódios envolvendo o nome do dirigente da associação.
Em março deste ano, reportagens publicadas pelos portais Política Voz e DDD67 relataram a existência de ações judiciais envolvendo a empresa Mais Forte Pré-Moldados de Concreto e seu representante, Jeder Fabiano da Silva. Segundo as ações, empresas contratantes alegam ter realizado pagamentos antecipados para fabricação de estruturas de concreto e construção de barracão, sem que os serviços fossem concluídos. Os valores discutidos ultrapassam R$ 220 mil. As acusações incluem ainda o envio de fotografias que supostamente seriam de outra obra para demonstrar um andamento de produção que não estaria ocorrendo. Os processos seguem em tramitação e ainda não houve decisão definitiva sobre o mérito das alegações.
Além disso, documentos judiciais já noticiados anteriormente indicam que Jeder também enfrentou medidas de bloqueio judicial em decorrência de descumprimento de acordo firmado em processo que tramitava no Juizado Especial de Dourados.
A principal discussão que emerge após o anúncio não está apenas na participação de Jeder na campanha de João Henrique Catan, mas no impacto que essa decisão produz sobre a credibilidade institucional da própria ABECAMS.
Para críticos da atual direção, a adesão formal ao projeto eleitoral do deputado reforça a percepção de que parte das ações promovidas pela entidade ao longo dos últimos anos esteve inserida em uma estratégia política mais ampla.
Já apoiadores da associação argumentam que a participação de seus dirigentes na vida política é legítima e que a defesa dos beneficiários da Cassems pode naturalmente convergir com projetos partidários.
Independentemente das interpretações, a saída temporária do presidente da ABECAMS e sua entrada oficial na pré-campanha de João Henrique Catan encerram um período de especulações e inauguram uma nova fase: a de uma aliança política declarada, agora submetida ao julgamento dos servidores e, futuramente, dos eleitores sul-mato-grossenses.