Geral Asteroide 2024 YR4
Probabilidade de asteroide atingir a Terra quase dobra
Chance subiu de 1,3% para 2,3%, ou seja, a possibilidade do 2024 YR4 não acertar o planeta é de 97,7%
07/02/2025 12h21 Atualizada há 1 ano atrás
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Observações científicas do recém-descoberto asteroide 2024 YR4, em dezembro, mostraram que o corpo celeste tinha 1,3% de chance de atingir a Terra em 2032. No fim de janeiro, mais uma análise foi feita, e o número subiu para 2,3%. Motivo para medo? Segundo os pesquisadores, nenhum.

O telescópio ATLAS, no Chile, financiado pela Nasa, viu o asteroide pela primeira vez em 27 de dezembro de 2024. Com tamanho estimado entre 40 e 90 metros, o asteroide se aproximou da Terra em 25 de dezembro, tornando-se visível para os sistemas de observação.

Desde então, sua órbita tem sido analisada para prever possíveis riscos. Já se sabe, por exemplo, que a maior proximidade com a Terra será em 22 de dezembro de 2032.

Inicialmente, as incertezas sobre a trajetória do asteroide eram grandes, mas, com novas observações, os cálculos se tornaram mais precisos. Em 27 de janeiro de 2025, a probabilidade de impacto ultrapassou 1%, levando a International Asteroid Warning Network (IAWN) a emitir um alerta oficial.

Colin Snodgrass, professor de astronomia planetária na Universidade de Edimburgo, observou, ao jornal britânico The Guardian, que “muito provavelmente este passará sem causar danos”.

“Ele só merece um pouco mais de atenção com telescópios até que possamos confirmar isso. Quanto mais seguirmos sua órbita, mais precisas se tornarão nossas previsões futuras de sua trajetória”, apontou o especialista.

Mesmo assim, o risco ainda é suficiente para que a ONU tenha ativado, pela primeira vez, o seu Protocolo de Segurança Planetária.

Instalações do Very Large Telescope (VLT), localizado no Deserto do Atacama. Os equipamentos vão auxiliar os cientistas no acompanhamento do asteroide 2024 YR4

Locais onde asteroide poderia cair

Caso o impacto ocorra, a colisão poderia acontecer em uma faixa que inclui o leste do Oceano Pacífico, norte da América do Sul, Oceano Atlântico, África, Mar Arábico e sul da Ásia. A velocidade de entrada na atmosfera seria de aproximadamente 17 quilômetros por segundo (61.200 km/h), o que poderia causar danos significativos, dependendo do local.

Atualmente, o 2024 YR4 está classificado como nível 3 na Escala de Torino, que mede o risco de objetos espaciais. Essa classificação é rara para asteroides desse tamanho, já que rochas menores costumam queimar na atmosfera sem causar grandes estragos.

A próxima aproximação do 2024 YR4 ocorrerá em 2028, mas sem risco de impacto. Enquanto isso, cientistas buscam imagens de arquivo que possam ter captado o asteroide em passagens anteriores, o que ajudaria a refinar os cálculos de sua órbita.

O que se sabe sobre o asteroide recém-descoberto que pode atingir a Terra

Talvez você fique sabendo que há um asteroide grandão vindo rumo à Terra. Não entre em pânico.

Pouco depois do dia de Natal passado, os astrônomos observaram um objeto já se afastando do nosso planeta, uma pedra com algo entre 40 e 100 metros de comprimento a que deram o nome de 2024 YR4. Nas semanas seguintes, simularam suas possíveis órbitas futuras – e hoje dizem, baseados nas informações mais atualizadas, que há uma possibilidade de 1,3% de sermos atingidos em 22 de dezembro de 2032.

Como o asteroide foi descoberto?

Ele foi identificado pelo Sistema de Alerta Precoce de Impacto de Asteroide (Atlas, em inglês), que consiste em quatro telescópios em diferentes partes do mundo e é patrocinado pela Nasa. O equipamento do Chile descobriu o 2024 YR4 em 27 de dezembro, dois dias depois de sua aproximação da Terra. Agora está ganhando velocidade e se afastando cada vez mais depressa.

Qual o tamanho do 2024 YR4?

Segundo o Centro de Coordenação de Objetos Próximos à Terra da Agência Espacial Europeia, tem entre 40 e cem metros de comprimento, tamanho aproximado calculado pelo volume de luz solar que reflete. Mas, sem saber o tamanho exato dessa superfície, é possível apenas trabalhar com estimativas – e, mesmo assim, para que haja precisão, é necessário usar radares, e isso só será possível quando voltar a passar perto da Terra, em 17 de dezembro de 2028.

Um asteroide desse tamanho é motivo de preocupação?

Sim. Se tiver 40 metros, é mais ou menos semelhante ao meteoro de Tunguska, que explodiu sobre a área remota da Sibéria em 1908 e acabou com uma floresta de 2.070 quilômetros quadrados (para dar uma ideia, a área urbana de São Paulo tem 1.500 km²). No caso de ter cem metros, os danos localizados podem ser muito maiores, pois caso se choque com uma cidade pode destruí-la praticamente por inteiro. Se o objeto sobreviver à entrada na atmosfera e cair em alto-mar, o tsunâmi resultante pode arrasar o litoral mais próximo.

Como saber se há chances de um impacto em 2032?

O Centro de Estudos de Objetos Próximos à Terra do Laboratório de Propulsão a Jato da Nasa, situado na Califórnia, é onde trabalham os cartógrafos de cometas e asteroides dos EUA. É ali que, com softwares sofisticados, rastreiam os movimentos de tudo que se encontra no espaço mais próximo de nós.

Um desses programas, o Sentry, avalia as possíveis órbitas desses elementos e determina até a mínima chance de algum deles nos atingir no próximo século – e aqueles cujas possibilidades não podem ser definitivamente reduzidas a zero ficam na Lista de Riscos. “A chance de impacto foi identificada logo depois da descoberta do 2024 YR4, mas, como foi baseada só em algumas observações, a princípio a incerteza sobre a data foi bem grande. No último mês, porém, o número de análises chegou a centenas, e então o valor foi aumentando, superando 1%, que é um valor significativo”, explicou Davide Farnocchia, engenheiro de navegação do centro.

A Escala de Torino é uma ferramenta usada para mostrar o nível de preocupação que o público e as autoridades devem ter em relação a determinado asteroide. Vai de zero (em matéria de improbabilidade total de uma colisão fatal) a dez (o choque é certo e pode pôr em risco a civilização humana). A posição que o 2024 YR4 ocupa nela atualmente merece um três: já passou perto; pode ocorrer a menos de uma década; exige atenção dos astrônomos; e tem, no mínimo, 1% de chance de uma colisão capaz de destruição localizada.

É a segunda classificação mais alta já conferida a um asteroide, superada apenas pelo Apófis, já considerado uma ameaça por ter chegado ao nível quatro. Com o tempo, no entanto, descobriu-se que não tinha chances de colidir com a Terra pelo menos nos cem anos seguintes.

Para quando podemos esperar mudanças nessa possibilidade de impacto?

O que normalmente acontece é que, conforme se vão fazendo mais observações e se conhece a órbita do objeto com mais precisão, as probabilidades caem para zero, e a tendência provavelmente se repetirá com o 2024 YR4. “O mais provável é que, com mais análises, as chances de choque sejam descartadas”, confirmou Rankin.

Com o afastamento da Terra, a imagem do 2024 YR4 está se tornando extremamente tênue, ou seja, os telescópios terrestres terão dificuldade em rastreá-lo. “Mas, considerando-se que é um caso especial, vários membros da comunidade pediram (e conseguiram) mais tempo nos telescópios maiores e mais potentes, que devem servir até abril”, disse Rivkin.

Os astrônomos terão uma oportunidade ainda maior de corrigir as previsões durante o “passeio” previsto para dezembro de 2028, mas, até lá, a possibilidade de choque em 2032 não deve ser totalmente descartada. “A expectativa é que caia para zero, e não que suba para 100%, mas talvez leve alguns anos para os dados confirmarem isso”, declarou Rivkin.

Resumindo: temos de nos preocupar com o 2024 YR4?

No momento, não. “São grandes as chances de passar longe de nós em 2032, mas, se descobrirmos que vai se chocar com a Terra, podemos fazer algo a respeito”, garantiu Rankin.

Uma opção – se as agências espaciais tiverem tempo para organizar uma operação – é tentar alterar a rota do asteroide enviando uma nave para se chocar com ele. Se isso não der certo ou não for possível, a saída é definir a localização precisa da queda, de modo que os governos possam retirar a população em risco.